sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Canção da última idade

[Texto declamado]


Um dia falei de sonhos a quem sonhou que vivia
Passou por dias risonhos mas, no fundo, não sabia
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Andou nas sombras da vida atrás da vida banal
Perdeu o amor à partida, nada ganhou no final
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Amigos que tem, são poucos, ninguém lhe empresta calor
Porque ele chora e os outros não querem saber da dor
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Olhei para tudo e vi os sonhos que não viveu
Chorei, quando percebi que o sonhador era eu !


[/Texto declamado]


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Ai... há quanto tempo foi que o mundo me largou
E deste lado vejo o sol que me arrastou
Há quanto tempo fico assim olhando o sonho atrás de mim
E vendo cada dia a aproximar-me mais do fim
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Deus... com quantos braços trabalhei a vida inteira
Que tenho eu hoje, que mereça tal canseira
Não tenho nada do que quiz, onde ficou tudo o que fiz
Será que já não posso ter esperança em ser feliz
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Enquanto o sonho é louco não há horas p'ra pensar
Agora o tempo é pouco, só me resta recordar
Os anos em que a vida era um prazer
E o sonho não parava de crescer:
Eu era fadista nos momentos de lazer
Cantava um fadinho p'ra esquecer
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Ai... agora é tarde p'ra vencer a solidão
De nada serve ter um verso em cada mão
Não quero a pena de ninguém, a culpa é minha, eu sei-o bem
Somente gostaria de sentir-me sempre alguém
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Enquanto o sonho é louco não há horas p'ra pensar
Agora o tempo é pouco, só me resta recordar;
Os anos em que a vida era um prazer
Cantando um fadinho p'ra esquecer
E o sonho não parava de crescer

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Transcrito por:  José Fernandes Castro            

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Letra e musica de Carlos Paião
Repertório de Pedro Vilar