«Conheci o Carlos Paião algum tempo antes do lançamento daquele que viria ser o seu 1º disco. Foi-me apresentado por dois amigos, um infelizmente também já desaparecido, Henrique Amoroso. O outro foi o Produtor Mário Martins, grande responsável pela sua descoberta e principal impulsionador de toda a sua carreira discográfica.
Logo aí nasceu uma amizade muito forte e uma enorme ligação afectiva e de trabalho entre mim e o Carlos Paião, que se estendeu igualmente às nossas famílias. Foi um privilégio para mim e o Luís Arriaga trabalhar em televisão na área criativa, com o Carlos. Foi muito estimulante, porque a sua capacidade inventiva era tão grande e de tanta qualidade, que nos obrigava a ir aos nossos limites e a desenvolver as nossas aptidões para o conseguir acompanhar minimamente.
Os nossos maiores esforços eram para o Carlos coisas absolutamente fáceis de ele fazer.
Tinha uma veia criadora invulgar, como guionista, poeta e músico. Um compositor e autor simplesmente fantástico. Nos espectáculos era de um enorme profissionalismo. Tinha o seu espectáculo meticulosamente montado. Era de uma seriedade de processos imbatível. Cuidados levados ao extremo com as suas equipas, o som, as luzes, o reportório, a imagem, a sua forma divertida de comunicar. Aquele estilo meio tímido, meio brincalhão, resultado de uma inteligência invulgar e com intuição do equilíbrio perfeito e único num homem muito culto.
No seu quotidiano era uma pessoa "loucamente" divertida. Sabia criar muito bom ambiente e era muito amigo dos seus amigos. Gostava de pregar partidas aos que o rodeavam.
Apesar de uma grande timidez, o Carlos vencia por vezes essa sua característica, com posturas que se poderiam considerar "politicamente incorrectas". Tinha enormes qualidades, destaco a seriedade, lealdade, sentido de justiça e espírito solidário.
Apesar de ter uma licenciatura em medicina, sempre que o consultávamos sobre assuntos relacionados com saúde "fugia" do tema a sete pés. Brincava de forma descomplexada com aquilo que considerava a sua "falta de vocação" e apontava logo para a sua mulher, a Dr.ª Zaida - também ela médica - para ser ela a responder a qualquer dessas questões. Se insistíamos com ele gracejava dizendo coisas do tipo "...tu queres mesmo é morrer! Não tens amor nenhum à vida! Queres mesmo que seja eu a tratar-te? OK, vamos lá tratar do burro" e outras frases do género.
Tinha todas as receitas, mas para a "medicina" da música, para isso sim, tinha sempre os melhores "remédios" em notas musicais e poemas ou textos. Felizmente estão aí para se ouvir e ler. Como são fantásticos e intemporais. Carlos Paião foi um artista genial e um homem maravilhoso. Uma das melhores pessoas que passou pela minha vida.
Ainda hoje choro a morte deste amigo e o seu desaparecimento foi dos momentos mais dolorosos que vivi. Sobram-me felizmente muitas e boas recordações. Espectáculos que fizemos juntos em Portugal e no estrangeiro. Também televisão e muita rádio.
O Carlos valorizou o meu programa "Despertar" com participações que foram inesquecíveis. Ficam entre nós vários discos, canções e acima de tudo a cumplicidade de ter partilhado uma amizade única com um homem e artista de talento único. Carlos Paião é um dos melhores criadores musicais do século XX no nosso País.»
António Sala
(Prefacio do livro "Inspirada na Minha Paixão - Carlos Paião 1957-1988")
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
José da Câmara
Ai Fadinho - José da Câmara
Em 1991 é lançado um disco de José da Câmara que contou com a colaboração de Mário Martins. Um dos temas é "Ai Fadinho" da autoria de Carlos Paião.
Em 1991 é lançado um disco de José da Câmara que contou com a colaboração de Mário Martins. Um dos temas é "Ai Fadinho" da autoria de Carlos Paião.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Maria do Deserto

O SEU MUNDO
“A morte é a única certeza na vida. Contudo, quando ela chega deixa, nos que ficam, um profundo sentimento de espanto!”
Hobbies levados a sério
Natural de Penafiel, há mais de 40 anos que Maria do Deserto se dedica igualmente à pintura. Esta foi outra forma de expressar a sua arte. Uma forma que a escritora e fotojornalista admite ser um hobby mas que, nem por isso, é deixada de levar a sério. Já foram dezenas as exposições com a assinatura desta artista.
UMA INSPIRADORA PAIXÃO
MARIA DO DESERTO, ASSOCIADA E AUTORA DA BIOGRAFIA OFICIAL DE CARLOS PAIÃO
Fala com... e de paixão. Sobretudo, Maria do Deserto fala com a paixão de quem ama o que faz. De quem vê na arte uma das mais nobres formas de expressão, de comunicação... provavelmente até de sobrevivência. Quando a editora Literatura em Movimento a convidou para escrever a biografia oficial de Carlos Paião, o artista português autor de músicas tão carismáticas como "Pó de Arroz", "Cinderela" e "Play-Back", a multifacetada escritora abraçou logo o projecto.
É que apesar de pessoalmente não conhecer o artista, admite que sempre admirou o seu trabalho. As letras das músicas eram absolutamente fantásticas, sobretudo pela ligação que muitas vezes fazia ao universo infantil. Hoje, com a obra concluída, conta que passou a admirá-lo também enquanto ser humano.
A verdade é que 20 anos depois da sua trágica morte, em 1988, nenhuma biografia de Carlos Paião havia sido editada. E a responsabilidade de ser a primeira a fazê lo não inibiu Maria do Deserto, que abraçou o universo do cantor, indo ao encontro de familiares e amigos para a recolha de depoimentos. Não tive qualquer entrave na realização desta obra.
As pessoas que contactei foram extremamente solícitas participar. Desde a viúva aos pais, passando pelos amigos. Todos se disponibilizaram . A obra contém testemunhos de pessoas que se foram encontrando, ao longo do tempo, com Carlos Paião. Podemos assim encontrar familiares, amigos de infância e de profissão e pessoas relevantes no mundo artístico como António Sala, Ramón Galarza, Simone de Oliveira, Nicolau Breyner, Carlos Quintas, Pedro Couceiro, Pedro Calvinho, Henrique Feist, Olga Cardoso, Tozé Brito, Luís Andrade (RTP) Bagão Félix, Luís Filipe Aguiar, Lenita Gentil, Florência, Ana, Mara Abrantes, Peter Petersen, Luís Arriaga, Rui Nova, Herman José, Filipe La Féria, Rui de Carvalho ou Joel Branco. E porque assegura Maria do Deserto a escrita é um imenso mar de paixões e ambições que vale a pena viver , os projectos literários não vão parar por aqui. Apesar de não abrir totalmente a cortina, Maria do Deserto lá nos confessou ter vários projectos entre mãos, nomeadamente outra biografia, além de um livro para crianças, de resto a sua grande paixão.
Susana Marvão
REVISTA MONTEPIO 39, Outono de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Alexandra
Tudo Acabou - Alexandra
Passeio de Charrete/Pólvora (Single, Rossil)
Passeio de Charrete - autoria de António Rosa e Carlos Paião
Pólvora - autoria de Carlos Paião e António Sala
Nota: "Tudo Acabou" foi regravado por Fafa de Belém.
Passeio de Charrete/Pólvora (Single, Rossil)
Passeio de Charrete - autoria de António Rosa e Carlos Paião
Pólvora - autoria de Carlos Paião e António Sala
Nota: "Tudo Acabou" foi regravado por Fafa de Belém.
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António Sala,
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Colabx - Alexandra
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
José Alberto Reis

José Alberto Reis participou no Festival RTP da Canção de 1989 com uma composição de Carlos Paião ("Palavras Cruzadas") tendo ficado em 4º lugar.
Com outra das canções deixadas por Carlos Paião ("Sol Maior") representou Portugal num certame realizado em Xangai.
Notas: "Sol Maior" foi gravado em 1994, no disco "Alma Rebelde". Aparece também no disco de colaborações lançado em 2006; "Palavras Cruzadas" não chegou a ser gravado.
Com outra das canções deixadas por Carlos Paião ("Sol Maior") representou Portugal num certame realizado em Xangai.
Notas: "Sol Maior" foi gravado em 1994, no disco "Alma Rebelde". Aparece também no disco de colaborações lançado em 2006; "Palavras Cruzadas" não chegou a ser gravado.
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