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domingo, 15 de janeiro de 2012

Cronologia

CRONOLOGIA DE CARLOS PAIÃO

* com vários dados da sua vida pessoal

Nasceu a 1 de Novembro de 1957 na Clínica de Montes Claros, em Coimbra. Viveu a sua infância em Ílhavo.

Em 1964 foi para Lisboa onde frequentou os Salesianos no Estoril e o Liceu Nacional de Oeiras. Nesta altura já tinha o dom da música.

Em 1975 iniciou o curso de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade Nova de Lisboa, com duração de seis anos. Percorreu vários Hospitais como: Egas Moniz, Hospital de São José, Maternidade Alfredo da Costa e Medicinal Legal.

1978 é o ano do inicio da sua carreira musical.

http://www.facebook.com/pages/CARLOS-PAI%C3%83O/255366017823269

(FOTOBIOGRAFIA "INSPIRADA NA MINHA PAIXÃO CARLOS PAIÃO 1957-1988" ao longo de 418 páginas com 260 fotos e um CD-ROM)

sábado, 27 de agosto de 2011

Recordar Carlos Paião

http://sic.sapo.pt/online/sites+sic/querida-julia/diario/carlos+paiao.htm

Carlos Paião, um músico excepcional.

Programa "Querida Júlia" (SIC) de 26.08.2011 com a presença de Luís Arriaga, Maria do Deserto e Rui Nova.

Apresentação

Faleceu há 23 anos, mas a sua obra permanece bem viva!

Primeira Parte
 
Amigos e familiares relembram o músico e a pessoa.

Conversa com Luís Arriaga, Maria do Deserto e Rui Nova. Intervenções ao telefone de Joel Branco.

Segunda Parte

Com tributo musical de alguns dos êxitos do cantor!

Depoimentos dos pais de Carlos Paião (Ofélia e Carlos) e várias imagens de video amador, fotografias, etc

Pais relembram Carlos Paião: A mãe e o pai do músico recordam o filho.

Notas:

- Luis Arriaga conheceu Carlos Paião aquando do Festival de 1980.
- Joel Branco foi apresentado por Mário Martins.
- A fotobiografia de Maria do Deserto foi lançada em Novembro de 2008. Surgiu após um desafio lançado por alguns amigos. Nunca tinha privado com o cantor apesar de ser admiradora da sua carreira.
- Rui Nova era locutor da Rádio Onda Verde e fez uma entrevista após um espectáculo no Casino da Póvoa. Também foi apoiado por Carlos Paião na sua carreira como cantor. Paião deveria produzir o seu disco de estreia e compor uma das músicas .
- Carlos Paião chegou a fazer serviço de urgência no hospital mas muitos dos pacientes não o levavam a sério.
- Joel Branco relembrou que ele era muito disponível  para os seus amigos chegando ao ponto de ter uma agenda com contactos de colegas artistas que costumava sugerir aos promotores que o contratavam para espectáculos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Carlos Paião - 1957/1988. Lançamento da obra biográfica

Boa tarde a todos.
Fiquei muito sensibilizado por ter sido convidado pela Sra. Directora da Biblioteca Municipal de Esposende, Dra. Maria Manuela Luísa Leite, para poder fazer a apresentação do lançamento do livro: “Inspirada na minha Paixão: Carlos Paião 1957-1988” e da autoria de Maria do Deserto, a quem desde já felicito pelo arrojo literário demonstrado.

Como professor de Educação Musical, em Braga, mas natural desta linda cidade de Esposende, de que muito me orgulho, e tal como Carlos Paião se vangloria da sua terra e das suas gentes, também por cá passei a minha meninice até à idade adulta. É com muito gosto que aqui estou presente para dar o meu singelo contributo e para podermos recordar esta figura ímpar da música ligeira portuguesa e tão prematuramente desaparecida do nosso convívio, vai para vinte anos a esta parte.

Parafraseando alguém de que “O homem passa mas a sua obra permanece”, isto aplica-se como uma luva ao nosso homenageado pois foi e continua a ser, para além do seu virtuosismo musical, um exemplo de valores humanos a imitar, numa sociedade cada vez mais carenciada deles.

Na sucinta análise que adiante irei descrevendo, irei debruçar-me sobre alguns pontos que achei pertinente serem focalizados. Assim, abordarei a autora do livro em questão e, de seguida, a obra do músico e compositor, completando com a apresentação de uns excertos musicais do mesmo e interpretados pelo Rúben, um jovem de vinte anos que bem poderá incarnar o espírito musical de Carlos Paião.

A autora da obra: Maria do Deserto.

O que sei da autora, é de que nada sei, ou melhor e dito por outras palavras, este é também o meu primeiro contacto com a “progenitora” desta obra. Todavia e se posso dizer algumas palavras a propósito, elas derivam mais da leitura convidativa do próprio contexto deste livro. Sei que é “repórter fotográfica, a residir no estrangeiro e apaixonada pelas letras e pela fotografia e fã e admiradora do compositor, das suas letras e músicas, apesar de nunca o ter conhecido”, citando o folheto de apresentação do Gabinete de Relações Públicas do Município de Esposende.

Como melómana, a autora terá ficado encantada com a obra musical de Carlos Paião. No livro, não deixa de ser notável a forma sui generis como o demonstra, tentando revelar múltiplas facetas do compositor, primeiro como homem e das suas ímpares qualidades humanas e, concomitantemente, na sua obra musical, onde se reflectem essas mesmas qualidades, ratificadas pelos muitos testemunhos dos seus inúmeros amigos de que se rodeou em vida e que fazem a parte final deste livro.

Se já leram ou vierem a ler esta biografia oficial do autor de Cinderela, terão chegado à conclusão de que é agradabilíssimo ir seguindo cada parágrafo do seu contexto onde a autora vai mesclando a sua própria prosa de uma forma quase poética, a que se junta a realidade da fotografia como que retrospectivando a vivência do músico-doutor.

Não serei a pessoa mais indicada para fazer uma análise e crítica estilística a este livro, mas como simples leitor apercebi-me de que a sua autora é de uma sensibilidade simples e despretensiosa, conseguindo captar o leitor ao longo das 416 pp. da obra em questão. Somos como que embalados em cada capítulo pelo romance feito de enternecimento e cuja autora abraça de uma ternura quase bucólica. De certa maneira, chamar-lhe-ia de pictórica a forma como o faz, levando-nos em cada fase do crescimento deste filho dilecto de Ílhavo, a vivenciarmos também o percurso de cada qual, ao tempo da nossa meninice.

Datas como o ter vindo ao mundo, o baptismo, as comunhões, os dias de aniversário, os tempos de escola, os jogos de criança e outros momentos que nos marcaram a todos, são pretexto para a sua autora os burilar de uma candura que a todos sensibiliza. Diria até que nestes pormenores ela é também uma artista.
Folheando o livro, a tal propósito, dei-me a contemplar o seu estilo literário na sua, e passo a citar: “…mistura arrojada de emoções, que me declaram na alma, uma realização plena… de observadora intimista, de me apoderar de pedaços da sua breve existência, fazendo-me perceber que a sua vida ainda está presente, como se aguardasse a minha vinda, para desbravar nesta homenagem o mundo mágico que nem a morte silenciou”. Ou, mais além, a ternura espelhada em: “…o seu nascimento fora como uma peça divina criada pelas mãos de Deus, que escolheu ternas fadas para a sua vida…” ou ainda “… aconchegado no regaço do colo da sua mãe, viajava numa fantástica barca intemporal, onde tudo se revelava maravilhoso e único”, pp. 46, entre muitas outras páginas carregadas de simbolismo, de pedagogia, vivência e filosofia da vida.

Os próprios subtítulos são também um convite a que sejam desbravados e assimilados no seu todo. Estão patentes em “destinos entrelaçados”, “O início da caminhada”, “A dádiva de fé”, “Mosaico de emoções”, entre tantos outros. De certa forma, o leitor como se revê em cada um deles pois são como um letmotiv da nossa própria existência humana.

Não é minha intenção revelar o conteúdo do livro pois a tal estão convidados todos os seus potenciais leitores que dele farão a análise que julguem fazer. Apraz-me apenas chamar a atenção para um e outro pormenor mais ligado à minha área profissional da música. E no que diz respeito à autora de “Inspirada na minha Paixão”, por certo que terei ficado muito aquém do que a este propósito ainda deveria e deverá ser dito. Parafraseando o título do próprio livro louvo-lhe a “Paixão” com que levou a cabo todo o processo de investigação para que fosse possível agora podermos usufruir de um melhor conhecimento do compositor de Play-back e perpetuarmos no tempo esse mesmo tempo que não lhe sobrou em vida para que fosse reconhecido no seu real valor como um artista que, diria, foi quase completo nas suas facetas de músico e compositor.

Carlos Paião: o músico e a obra.

Foi realmente uma notícia trágica a que, através da rádio e da televisão, nos atordoou a todos, naquela fatídica sexta-feira, dia 26 de Agosto de 1988. Como diz a autora, foi “…um pó de arroz que foi levado pelo vento”.

À parte o acontecimento que enlutou familiares e amigos e as especulações levantadas sobre este, ficou-nos, do compositor, a sua obra gravada por vários meios áudio - visuais e de que vamos ainda desfrutando na qualidade de cada um dos seus inúmeros trabalhos editados.

Carlos Paião é descrito pelos seus amigos como: “… uma eterna presença apesar da ausência. Um jovem prodigioso e de uma simplicidade genuína. Autêntico. Simples. Competente. Uma pessoa sempre bem disposta e de uma alegria contagiante e um retrato fiel de felicidade. Irreverente e junto dele ninguém ficava triste. Optimista e um amigo de referência com quem sempre se podia contar. Dele cita Olga Cardoso: “… derramaste amor às mãos cheias, espalhaste aos quatro ventos e acabaste por ter mais do que tinhas”.
“Compor para o autor era facílimo pois ele dava vida e cor à música com os seus textos de forma eficaz e sobretudo rápida”, assim se refere a ele Luís Filipe Aguiar, cantor e músico. “Amigo do seu amigo e de uma disponibilidade absoluta e desinteressada, ora compondo ora escrevendo ou ainda disponibilizando todos os seus meios técnicos para ajudar qualquer colega de palco. Tinha o dom de cultivar a arte de viver e a amizade e adorava crianças”. Como finaliza Filipe de La Feria foi como: “… uma estrela cadente que no céu desprende o seu lastro de luz”. Foi um trovador de sonhos”. Ah! … e um fervoroso benfiquista que mesmo em casa frente à TV não abdicada do seu cachecol encarnado!

Seria por demais cansativo debruçarmo-nos sobre tanta proficuidade e variedade da sua música que deu até para “dar e vender” a terceiros, o que demonstra o espírito de dádiva aos outros que tanto o caracterizou na sua forma de ser e estar em vida.

Musicalmente, as suas canções são de uma melodia e harmonia contagiantes e sempre adaptadas a diferentes realidades vivenciais. A título de meros exemplos na sua curta passagem compilou e compilaram-se dele alguns Álbuns como: Algarismos, O Melhor de Carlos Paião, Intervalo, os Singles, Pó de arroz, Cinderela e já posteriormente ao seu desaparecimento, Letra e Música 15 anos depois (EMI, 2003), Play-Back – Colecção Caravelas (EMI, 2004) e Perfil (Som Livre, 2007). Entre outros Compactos [Singles] salientem-se: Souvenir de Portugal/Eu não sou poeta, Play Back, Pó de Arroz/Gá-gago, Marcha do peão das Nicas/Telefonia nas Ondas do Ar, Zero a Zero/Meia Dúzia, Vinho do Porto, Vinho de Portugal, com Cândida Branca Flor, O Foguete, Versos de Amor, Arco Íris, Discoteca, Cinderela, Cegonha e Quando as Nuvens Chorarem.

Não me quereria substituir a qualquer site da NET pois os meus ouvintes por certo encontrarão quase tudo o que há que ver e dizer sobre este compositor de sorriso sempre aberto.

Os seus pontos altos foram o 1º lugar no Festival RTP da Canção de 1981, com a canção Playback , numa altura em que este certame representava uma plataforma para o sucesso e a fama no mundo da música portuguesa. Já aqui se notava uma crítica divertida, mas contundente, aos artistas que cantam em playback. Com este tema representaria o nosso país em Dublin no Festival da Eurovisão desse mesmo ano.

Para além desta participação esteve ainda em muitos outros festivais quer em Portugal quer no estrangeiro. Em 1985, concorreu ao Festival Mundial de Música Popular de Tóquio, tendo a sua canção sido uma das 18 seleccionadas entre mais de 2000 representativas de 58 países!

O seu altruísmo na música fez com que lhe fossem encomendadas muitas outras músicas como foi o caso do próprio Herman José e que viriam a alcançar um grande êxito como a Canção do Beijinho. Amália Rodrigues cantou dele O Senhor Extra-Terrestre (1982).

Compositor, intérprete e instrumentista, Carlos Paião produziu mais de quinhentas canções, tendo sido homenageado em 2003, com um CD comemorativo dos 15 anos do seu desaparecimento. Já em 2008, por altura da comemoração dos 20 anos do desaparecimento do músico, vários músicos e bandas reinterpretaram temas do autor na edição de um álbum de tributo, “Tributo a Carlos Paião”.

Ao rever uma cena do filme Amadeus galardoado com vários Óscares da Academia de Cinema, Salieri, músico da corte austríaca e acusado injustamente de ter envenenado Mozart, no hospital de Psiquiatria onde estava internado e cujo capelão o visitara para que este se confessasse, o músico já envelhecido mas ainda cioso do seu presumível talento faz um acordo com o padre. Que se confessaria se este soubesse identificar algumas das (suas) músicas e que supostamente teriam tido tanto êxito, na altura. Após algumas tentativas ao ouvido duro do capelão, este não distinguiu qualquer daquelas. Irritado, Salieri tocou então uma simples melodia de Mozart e logo o clérigo a trauteou. De certa forma, e passe a comparação, ainda hoje quaisquer dos temas de Carlos Paião são do domínio e conhecimento popular e a sua identificação, passados todos estes anos, é quase momentânea.

Se me perguntarem quais as músicas que mais me atraíram eu destacaria duas, entre muitas outras: Cinderela e Pó de Arroz. São autênticos poemas ao despontar do amor na adolescência e a sua letra e música são de uma beleza, candura e enternecimento ímpares. Por isso e antes de finalizar, vou convidar o Rúben para que lhe dê a alma que elas realmente merecem.

Com mais este precioso contributo da autora deste livro, por certo que o meus caros ouvintes e possíveis leitores poderão ficar a ter uma visão mais abrangente da vida e da obra deste grande músico que se repercutiram nos seus poemas e nas suas músicas.

Finalizo com as palavras de Maria do Deserto, a sua autora: “ A morte é a única certeza na vida. Contudo, quando ela chega, deixa nos que ficam, um profundo sentimento de espanto…”.

Um até já, Carlos Paião.

Muito obrigado a esta ilustre plateia pela gentileza da vossa presença nesta sessão de apresentação e parabéns à autora de “Inspirada na minha Paixão” – Carlos Paião 1957-1988.

Biblioteca Manuel de Boaventura (Esposende),  21/03/2009

Lino Rei

Sessão de apresentação do livro “Inspirada na minha Paixão” – Carlos Paião 1957-1988.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Brandit


Brandit

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fotobiografia

O coração é mais forte do que qualquer memória que se apaga lentamente, nas páginas da nossa existência. Como o sopro que nos envolve de mistério, com o tempo a memória esgota-se na penúria do esquecimento. Esta é uma verdade que acompanha a história da humanidade e como tal, escolhi a voz do coração, para homenagear um grandioso homem e artista português, após 50 anos do seu nascimento, revelando factos, emoções, desafios e aventuras que marcaram a sua breve caminhada neste mundo.

A tentativa de imortalizar a sua imagem e vivência, ainda que aparentemente utópica, é o resultado duma enérgica vontade de reactivar de uma forma profunda, o sentir o outro como parte integrante da nossa existência. Vivemos numa sociedade em que o indivíduo tem dificuldades em se reconhecer a si mesmo, de conhecer aqueles que o rodeiam, desaproveitando a riqueza do contacto humano, negando um altivo lugar às mentes geniais, aos bafejados dum dom quase sobrenatural, que fazem renascer a beleza dum universo perdido. Esta é a dura missão dos que criam os mundos da ilusão, que se entregam à voraz sorte, mas que nunca desistem do fogo de sonho que trazem na alma, tornar a vida mais feliz e o mundo mais justo!
Carlos Paião era um artista inspirado por uma força maior, que colocou a música num pedestal e fez dela a musa guerreira, que ecoava verdades silenciadas na sua inquietude; a arma poderosa que arrebatava as injustiças; o veículo escolhido para rasgar a sua longa caminhada, em busca duma existência mais útil e perfeita! Sendo um comum mortal, com fraquezas inerentes, transcendia essa sua condição com uma arrebatadora paixão pela vida, uma fervorosa vontade de entregar ao universo, tudo o que de mais nobre e altivo florescia em si. O seu cândido sorriso era a revelação sempre presente, duma forma exclusivamente positiva de encarar a vida, como se esta fosse uma dádiva, à qual se pretendia entregar sem limites.
Era um homem tímido e observador, que mantinha de perto a família, pois esta era o pilar do seu equilíbrio. Humilde na forma de ser, nunca se envaideceu pelos múltiplos talentos que detinha ou pelos tributos conquistados. Artista multifacetado, foi inovador na música que escrevia para tantos cantores de renome do nosso país.

Alguém excepcional como Carlos Paião com invulgares qualidades humanas, levou ao mundo o que de melhor se fazia musicalmente em Portugal e infelizmente, não viveu o suficiente para sentir do povo que tanta amava, o reconhecimento merecido. Sabemos que a sua vasta e talentosa obra só conheceu a fama e a glória após a sua morte, quando já não estava entre nós, para deixar brotar a lágrima de felicidade, dum humilde obrigado.

A sociedade dos homens é uma realidade contraditória, que deixa adormecer nas várias lápides do tempo, as vozes que plantaram os sonhos que ainda hoje bebemos. Ainda vamos a tempo de contrariar esta tendência nefasta, pois é em vida que o poeta, o criativo, o artista, o génio deve ver reconhecido o seu valioso contributo para a humanidade. Enquanto a cegueira se recolhe nesta controvérsia, tentamos prestar a homenagem como recompensa da nossa infinita falha.

Esta é a minha missão, exigente mas à qual darei o meu melhor contributo, abraçando a verdade e tentando derrubar qualquer dúvida ou mito criado em torno desta honorável figura portuguesa da 2ª metade do séc. XX.

Maria do Deserto

autora da Fotobiografia sobre Carlos Paião

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Carlos Paião e Fotobiografia de Maria do Deserto

CARLOS PAIÃO

Carlos Paião teve de nascer em Coimbra porque o parto foi de cesariana e englobava algum risco. Viveu em Ílhavo (terra dos pais) até aos 7 anos. Por questões profissionais do Pai foram viver para Lisboa onde estudou.

Era músico autodidacta tendo começado a tocar desde muito cedo. Estudou Medicina em Lisboa tendo acabado o curso por conselho de familiares. Formou-se em 1982/3 mas nunca chegou  a exercer embora tenha feito alguns trabalhos da faculdade no Hospital de Cascais e noutros.

Deixou cerca de 600 canções. A editora chegou a pensar lançar um livro com as letras mas o projecto não seguiu para a frente.

CURIOSIDADES

Várias vezes foi realçada a actualidade das letras na entrevista à Rádio Portugas.

Canta a canção "Vinho do Porto" com Candida Branca-Flor, no Festival da Canção realizado no Porto, porque ela assustou-se com o tamanho da letra. No CD que acompanha a Fotobiografia, da autoria de Maria do Deserto, aparece uma versão instrumental desse tema que foi encontrada pela mãe do cantor numa cassete antiga.


FOTOBIOGRAFIA

A autora diz que Carlos Paião merecia um LIVRO com qualidade. O objectivo principal foi deixar um testemunho do artista. Trata-se de uma obra de luxo em edição limitada. Com o tempo irá tornar-se uma edição mais valiosa e não será reeditada neste formato.

A obra tem 260 fotografias. Muita da informação e fotografias foram recolhidas junto dos Pais do cantor que ainda estão vivos.

A preparação do trabalho durou cerca de 2 anos. Maria do Deserto teve várias situações em que começava a tocar música de Carlos Paião no rádio quando recebia chamadas de familiares do cantor.

Maria do Deserto lançou o repto para que cada vez mais pessoas conheçam a música de Carlos Paião.

[Alguns dados obtidos nas entrevistas de Maria do Deserto à TSF e Rádio Portugas]

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Carlos Paião 'vive!'

Programa Mais Cedo Ou Mais Tarde (TSF) de 27/10/2010

Entrevista a Maria do Deserto sobre a Fotobiografia e sobre Carlos Paião

No Mais Cedo ou Mais Tarde de hoje (27/10) falamos de Carlos Paião - faria anos dentro de dias - que ocupa um lugar especial na memória de muitos de nós. Como aconteceu com muitos outros artistas, ganhou mais prestígio depois de morrer e a sua música é hoje ouvida com outros ouvidos. «Cinderela» será provavelmente uma das grandes músicas da música portuguesa.

Muitas das músicas que Herman José popularizou são deste médico, falecido aos 31 anos, num acidente de automóvel.

 No final de 2009 foi lançada uma fotobiografia de Carlos Paião e sua autora, Maria do Deserto, é a nossa convidada.

Ouvir a emissão

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1698364

(mais sobre a autora)

Blogue do programa

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Entrevista a Maria do Deserto

http://www.radioportugas.com/online/home/index.php?pg=video&id=52






Entrevista feita por Pedro Carvalho da http://radioportugas.com/ a Maria do Deserto, autora da Fotobibliografia sobre Carlos Paião.


"Obra de luxo, 418 páginas, 260 fotos, um CD ROM coordenação da obra desde a hora do nascimento até ou seu funeral. (Uma viagem de uma Vida). Uma homenagem ao artista para que nas futuras gerações possam ter uma obra para informação como para investigação. Tem váris testemunhos, como dos país, da viuva, e de muitos artista do mundo da música.

Literatura em Movimento

http://projectooletras.blogspot.com/
letrasyep@gmail.com
+351 229415571

contactos para comprar a fotobiografia

http://carlospaiaofotobiografia.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

António Sala

«Conheci o Carlos Paião algum tempo antes do lançamento daquele que viria ser o seu 1º disco. Foi-me apresentado por dois amigos, um infelizmente também já desaparecido, Henrique Amoroso. O outro foi o Produtor Mário Martins, grande responsável pela sua descoberta e principal impulsionador de toda a sua carreira discográfica.

Logo aí nasceu uma amizade muito forte e uma enorme ligação afectiva e de trabalho entre mim e o Carlos Paião, que se estendeu igualmente às nossas famílias. Foi um privilégio para mim e o Luís Arriaga trabalhar em televisão na área criativa, com o Carlos. Foi muito estimulante, porque a sua capacidade inventiva era tão grande e de tanta qualidade, que nos obrigava a ir aos nossos limites e a desenvolver as nossas aptidões para o conseguir acompanhar minimamente.

Os nossos maiores esforços eram para o Carlos coisas absolutamente fáceis de ele fazer.

Tinha uma veia criadora invulgar, como guionista, poeta e músico. Um compositor e autor simplesmente fantástico. Nos espectáculos era de um enorme profissionalismo. Tinha o seu espectáculo meticulosamente montado. Era de uma seriedade de processos imbatível. Cuidados levados ao extremo com as suas equipas, o som, as luzes, o reportório, a imagem, a sua forma divertida de comunicar. Aquele estilo meio tímido, meio brincalhão, resultado de uma inteligência invulgar e com intuição do equilíbrio perfeito e único num homem muito culto.

No seu quotidiano era uma pessoa "loucamente" divertida. Sabia criar muito bom ambiente e era muito amigo dos seus amigos. Gostava de pregar partidas aos que o rodeavam.

Apesar de uma grande timidez, o Carlos vencia por vezes essa sua característica, com posturas que se poderiam considerar "politicamente incorrectas". Tinha enormes qualidades, destaco a seriedade, lealdade, sentido de justiça e espírito solidário.

Apesar de ter uma licenciatura em medicina, sempre que o consultávamos sobre assuntos relacionados com saúde "fugia" do tema a sete pés. Brincava de forma descomplexada com aquilo que considerava a sua "falta de vocação" e apontava logo para a sua mulher, a Dr.ª Zaida - também ela médica - para ser ela a responder a qualquer dessas questões. Se insistíamos com ele gracejava dizendo coisas do tipo "...tu queres mesmo é morrer! Não tens amor nenhum à vida! Queres mesmo que seja eu a tratar-te? OK, vamos lá tratar do burro" e outras frases do género.

Tinha todas as receitas, mas para a "medicina" da música, para isso sim, tinha sempre os melhores "remédios" em notas musicais e poemas ou textos. Felizmente estão aí para se ouvir e ler. Como são fantásticos e intemporais. Carlos Paião foi um artista genial e um homem maravilhoso. Uma das melhores pessoas que passou pela minha vida.

Ainda hoje choro a morte deste amigo e o seu desaparecimento foi dos momentos mais dolorosos que vivi. Sobram-me felizmente muitas e boas recordações. Espectáculos que fizemos juntos em Portugal e no estrangeiro. Também televisão e muita rádio.

O Carlos valorizou o meu programa "Despertar" com participações que foram inesquecíveis. Ficam entre nós vários discos, canções e acima de tudo a cumplicidade de ter partilhado uma amizade única com um homem e artista de talento único. Carlos Paião é um dos melhores criadores musicais do século XX no nosso País.»

António Sala

(Prefacio do livro "Inspirada na Minha Paixão - Carlos Paião 1957-1988")

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Maria do Deserto


O SEU MUNDO

“A morte é a única certeza na vida. Contudo, quando ela chega deixa, nos que ficam, um profundo sentimento de espanto!”

Hobbies levados a sério

Natural de Penafiel, há mais de 40 anos que Maria do Deserto se dedica igualmente à pintura. Esta foi outra forma de expressar a sua arte. Uma forma que a escritora e fotojornalista admite ser um hobby mas que, nem por isso, é deixada de levar a sério. Já foram dezenas as exposições com a assinatura desta artista.

UMA INSPIRADORA PAIXÃO

MARIA DO DESERTO, ASSOCIADA E AUTORA DA BIOGRAFIA OFICIAL DE CARLOS PAIÃO

Fala com... e de paixão. Sobretudo, Maria do Deserto fala com a paixão de quem ama o que faz. De quem vê na arte uma das mais nobres formas de expressão, de comunicação... provavelmente até de sobrevivência. Quando a editora Literatura em Movimento a convidou para escrever a biografia oficial de Carlos Paião, o artista português autor de músicas tão carismáticas como "Pó de Arroz", "Cinderela" e "Play-Back", a multifacetada escritora abraçou logo o projecto.

É que apesar de pessoalmente não conhecer o artista, admite que sempre admirou o seu trabalho. As letras das músicas eram absolutamente fantásticas, sobretudo pela ligação que muitas vezes fazia ao universo infantil. Hoje, com a obra concluída, conta que passou a admirá-lo também enquanto ser humano.

A verdade é que 20 anos depois da sua trágica morte, em 1988, nenhuma biografia de Carlos Paião havia sido editada. E a responsabilidade de ser a primeira a fazê lo não inibiu Maria do Deserto, que abraçou o universo do cantor, indo ao encontro de familiares e amigos para a recolha de depoimentos. Não tive qualquer entrave na realização desta obra.

As pessoas que contactei foram extremamente solícitas participar. Desde a viúva aos pais, passando pelos amigos. Todos se disponibilizaram . A obra contém testemunhos de pessoas que se foram encontrando, ao longo do tempo, com Carlos Paião. Podemos assim encontrar familiares, amigos de infância e de profissão e pessoas relevantes no mundo artístico como António Sala, Ramón Galarza, Simone de Oliveira, Nicolau Breyner, Carlos Quintas, Pedro Couceiro, Pedro Calvinho, Henrique Feist, Olga Cardoso, Tozé Brito, Luís Andrade (RTP) Bagão Félix, Luís Filipe Aguiar, Lenita Gentil, Florência, Ana, Mara Abrantes, Peter Petersen, Luís Arriaga, Rui Nova, Herman José, Filipe La Féria, Rui de Carvalho ou Joel Branco. E porque assegura Maria do Deserto a escrita é um imenso mar de paixões e ambições que vale a pena viver , os projectos literários não vão parar por aqui. Apesar de não abrir totalmente a cortina, Maria do Deserto lá nos confessou ter vários projectos entre mãos, nomeadamente outra biografia, além de um livro para crianças, de resto a sua grande paixão.

Susana Marvão
REVISTA MONTEPIO 39, Outono de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eu Não Sou Poeta (letra)

Quem me dera saber
Fazer versos, rimar
Para um dia escrever
Que tu és a mulher que eu quero amar

Quem me dera fazer poesia
Inspirada na minha paixão
Inventar sofrimento, agonia,
O amor de Platão

Quem me dera chamar-te de musa
Em sonetos e coisas que tais
Uma escrita solene e confusa
Com palavras a mais

(Refrão)
Eu não sou poeta, não
Não sou poeta
Nunca fui um grande sofredor
Eu não sou poeta, não
Não sou poeta
Não te sei falar de amor

Mas seu eu fosse poeta dotado
Ou se ao menos julgasse que sim
Falaria com um ar afectado
Aprenderia Latim

Só faria canções eruditas
E se as ditas ninguém entendesse
Rematava com frases bonitas
P'ro que desse e viesse

(Refrão)

Curiosidade: "Eu Não Sou Poeta" era o lado B do primeiro single de Carlos Paião. "Inspirada na minha paixão", o nome do livro de Maria do Deserto, foi retirado da letra desta canção.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Inspirada Na Minha Paixão Carlos Paião 1957-1988


Testemunhos, fotografias do próprio e dos seus objectos, partituras, cópias dos cadernos de Matemática. Está tudo reunido num livro que conta a vida da Carlos Paião.

A autora de "Inspirada na minha paixão – 1957-1988" é uma fã da mesma geração de Paião e pretende, com a obra, cumprir "a homenagem que falta" ao artista.

Maria do Deserto, repórter fotográfica é uma confessa apaixonada pelas letras e pela fotografia, nasceu três anos depois de Carlos Paião. Afirma que a "paixão e admiração pelas letras e músicas" do "artista" foram uma constante na sua vida, apesar de nunca o ter conhecido. A autora lamenta que o país nunca tenha homenageado Carlos Paião, "um artista com características raras no panorama português".

A ideia de reunir em livro a curta vida de Paião surgiu há cerca de dois anos. A obra reúne testemunhos dos familiares mais próximos do músico, desde que nasceu, em Coimbra, e da sua vida, primeiro em Ílhavo e depois em Lisboa.

Maria do Deserto identifica Paião como "um bebé bem disposto" e um adulto com um sentido de humor "muito grande" que não conhecia a palavra "não". “Um ser humano sempre pronto para ajudar toda a gente, que ensinava os colegas de escola".

Maria do Deserto define Carlos Paião como "um anjo que passou pela Terra e que em pouco tempo cumpriu a sua missão". Durante a execução desta obra, a autora recorda que teve momentos em que necessitou "de se afastar para chorar".

O capítulo mais difícil de fazer foi o da morte de Carlos Paião, explica a autora.

A biografia conta também com um capítulo com testemunhos dos pais, da viúva e de outros familiares próximos do artista, bem como, testemunhos de algumas personalidades "que se cruzaram com Paião" como Simone de Oliveira, Ramón Galarza, Nicolau Breyner, Ruy de Carvalho, Pedro Couceiro, Filipe La Féria, Olga Cardoso, Bagão Félix, Herman José, entre outros.

Com prefácio de António Sala, a biografia de Carlos Paião é apresentada hoje no Centro Cultural de Cascais, a terra onde vivem os pais do artista. O livro é publicado pela Literatura em Movimento.
«Inspirada Na Minha Paixão Carlos Paião 1957-1988» é a primeira obra de Maria do Deserto, uma fotojornalista que desenvolve trabalhos também na área da pintura e da escrita.

Edição em capa dura, inclui fotos a cores em papel de elevada qualidade. Inclui CD-ROM interactivo.
A obra contem testemunhos de varias pessoas que se foram encontrando por uma razão ou por outra ao longo do tempo com Carlos Paião, podemos assim encontrar familiares, amigos de infância e de profissão e pessoas relevantes no mundo artístico tais como António Sala, Ramon Galarza, Simone de Oliveira, Nicolau Breyner, Carlos Quintas, Pedro Couceiro, Pedro Calvinho, Henrique Feist, Olga Cardoso, Tozé Brito, Luís Andrade (RTP), Bagão Felix, Luís Filipe (Aguiar), Lenita Gentil, Florência, Ana, Mara Abrantes, Peter Petersen, Luís Arriaga, Rui Nova, Herman José, Filipe La Féria, Rui de Carvalho, Joel Branco.