quinta-feira, 2 de março de 2017

Play-back

FESTIVAIS DA CANÇÃO
 (Cenas behind "Playback")


Estávamos em 1981, dia 7 de Março, Teatro Maria Matos em Lisboa, onde se ia realizar mais um Festival RTP da Canção. Foi neste ano que me estreei nas andanças dos Festivais. As canções a concurso tinham nomes pesados como: Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Maria Guinot, José Cid e as Doce com o tema “Ali-bábá”. A Valentim de Carvalho concorria com o “Playback”, uma canção alegre e despretensiosa, de um jovem promissor, mas praticamente desconhecido, (autor, compositor e interprete), Carlos Paião.
 Desde o princípio que a imprensa escrita se inclinava para os nomes sonantes, habituados a estas andanças, e com especial atenção para as Doce, um agrupamento feminino, com um excelente visual e ótima presença em palco. Para ser sincera a Valentim de Carvalho jamais pensou que o “Playback” podia sair vencedor.
 A prestação do Carlos Paião foi bem-disposta, sem grande exuberância, a acompanhá-lo esteve um coro de quatro elementos, (Pedro Mourinho, Cristina Águas, Ana Bola e Peter Petersen), dizem as más-línguas (que eu não estava lá), que a nossa Bola teve de beliscar o Peter para ele entrar em palco tal era o nervosismo. O visual era o mais descontraído possível, nada de grandes costureiros ou fatos espalhafatosos.
 Quando começou a votação, rapidamente se começou a perceber que o “Playback” ia ficar classificado nos primeiros lugares, nós que estávamos em casa a assistir (pois nesse tempo, o Festival da canção ainda parava o país), e sem qualquer aviso, ou telefonemas (porque o telemóvel nessa altura pertencia à ficção cientifica), saímos todas com um rumo na cabeça, a porta do Maria Matos à espera do David Ferreira, que estava a assistir ao espetáculo.
 O “Playback” foi a canção vencedora! Reunidos na rua à porta do teatro estavam: David Ferreira e suas ‘muchachas´, ou seja o departamento de promoção, à altura constituído por mim, Inha e Elisa Braga. Olhámos uns para os outros, estávamos metidos numa saia justa. Não tínhamos nada preparado, nenhum sítio onde pudéssemos levar a Comunicação Social e amigos para celebrar a vitória. Rapidamente a Elisa lembrou-se que o júri do Se7e, (jornal de referência, no mundo da musica), estava reunido no Hotel Altis, e não foi tarde nem cedo, tratou de tudo e tomámos de assalto a sala do júri do Se7e para celebrar a inesperada vitória. A festa durou até às tantas, mas o melhor estava para vir.
 Nessa altura (agora não sei), as editoras tinham preparados para distribuição nas rádios no dia seguinte ao do Festival, um single dos artistas a concurso, com lado A (a canção concorrente) e lado B (outro tema do mesmo artista). A rádio tocava quase até à exaustão a canção vencedora, pelo que a maior parte das vezes o lado B passava completamente despercebido. Ora nós tínhamos o nosso single pronto, mas a canção do lado B era tão boa ou melhor que a vencedora, e ia passar completamente despercebida. Não queríamos que o “Pó de Arroz” fosse o parente pobre do “Playback” e como tal eis a brilhante ideia do David Ferreira. Às 8 horas do dia 8 de Março, as meninas entraram na sala de promoção da Valentim de Carvalho, nessa altura na Rua Nova do Almada, e distribuíram pelo chão e corredor mais de 100 singles com o lado B virado para cima. Munidas de tubos de cola UHU, inutilizámos todos os lados B e esperámos que a cola secasse, voltámos a encapá-los e fomos entrega-los aos realizadores das várias rádios, (nessa altura apenas Existia a Antena1 e 2, Rádio Comercial e Rádio Renascença), e assim escondemos aquele que viria a ser um dos grandes êxitos de Carlos Paião “Pó de Arroz”(que com tanta cola era impassável na rádio ). Eu já não tenho esse single, mas aposto que alguns locutores ainda se devem lembrar desta manobra de diversão.
 Realmente naquele tempo, tudo era feito de outra maneira, e o amor à camisola era na realidade o que mais nos importava.
 Espero sinceramente que o Festival, volte a ser um dos importantes programa de entretenimento da nossa TV.


Paula Freitas (Departamento de Promoção da Valentim de Carvalho)
17.02.2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Canção da última idade

[Texto declamado]


Um dia falei de sonhos a quem sonhou que vivia
Passou por dias risonhos mas, no fundo, não sabia
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Andou nas sombras da vida atrás da vida banal
Perdeu o amor à partida, nada ganhou no final
.
Amigos que tem, são poucos, ninguém lhe empresta calor
Porque ele chora e os outros não querem saber da dor
.
Olhei para tudo e vi os sonhos que não viveu
Chorei, quando percebi que o sonhador era eu !


[/Texto declamado]


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Ai... há quanto tempo foi que o mundo me largou
E deste lado vejo o sol que me arrastou
Há quanto tempo fico assim olhando o sonho atrás de mim
E vendo cada dia a aproximar-me mais do fim
.
Deus... com quantos braços trabalhei a vida inteira
Que tenho eu hoje, que mereça tal canseira
Não tenho nada do que quiz, onde ficou tudo o que fiz
Será que já não posso ter esperança em ser feliz
.
Enquanto o sonho é louco não há horas p'ra pensar
Agora o tempo é pouco, só me resta recordar
Os anos em que a vida era um prazer
E o sonho não parava de crescer:
Eu era fadista nos momentos de lazer
Cantava um fadinho p'ra esquecer
.
Ai... agora é tarde p'ra vencer a solidão
De nada serve ter um verso em cada mão
Não quero a pena de ninguém, a culpa é minha, eu sei-o bem
Somente gostaria de sentir-me sempre alguém
.
Enquanto o sonho é louco não há horas p'ra pensar
Agora o tempo é pouco, só me resta recordar;
Os anos em que a vida era um prazer
Cantando um fadinho p'ra esquecer
E o sonho não parava de crescer

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Transcrito por:  José Fernandes Castro            

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Letra e musica de Carlos Paião
Repertório de Pedro Vilar

sábado, 12 de novembro de 2016

Outras Versões

É conhecido que Carlos Paião escreveu para muitos outros cantores. Algumas dessas canções obtiveram grande sucesso nas carreiras desses artistas e mais tarde algumas foram cantadas por outros artistas.



Deixamos aqui a informação sobre algumas versões conhecidas:



* Ah Fadista (Vasco Rafael) - Sérgio Nunes (1998)
 
* A Gente Cresce, Cresce (Joel Branco) - Kirka [Sateinen Päivä] (1981)


* Canção do Beijinho (Herman José) - Azeituna



* Eu Já Namoro / O Meu Avôzinho (Pedro Couceiro) - Manuel João (1985)


* O Senhor Extraterrestre (Amália Rodrigues) - Mesa (2007), Gisela João (2016)



* Trocas e Baldrocas - (Cândida Branca-Flor) - Harmony Cats (1983)

* Tudo Bem (Alexandra) - Fáfa de Belém (1993)



Gisela João

O disco "Nua" de Gisela João inclui uma versão de "Senhor Extra-Terrestre" gravado por Amália Rodrigues

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Fim de Festa - Cândida Branca-Flor

(...) Man Matos (ex-marido da cantora Alexandra) acaba por instalar um estúdio de gravação na rua Carlos Mardel em Lisboa onde prepara gravações para discos e "demos".

Luís Arriaga foi várias vezes à Carlos Mardel, quase à esquina da Av. Morais Soares, ali ao Chile, gravar "demos", ou para os Festivais da Canção RTP ou para outros eventos.

Diz-nos o Luís. "Muitos compositores iam lá para gravar ou para os Festivais ou para apresentar às Editoras. Eu fiz lá várias gravações, tocava viola e o Manel tocava ou baixo ou percussão. A gravação que fizemos para uma música minha com letra do Carlos Paião, que tocou orgão, ele tocou viola baixo e eu toquei viola em todas.

Envio-te a gravação cantada pela Cândida Branca Flor, "Fim de Festa".

Onda Pop nº 77

Ler mais informações e ouvir a gravação em http://www.ondapop.pt/nordm77.html