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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

ANTÓNIO SALA


A UM AMIGO

Então amigo, irmão, companheiro,

paraste a viagem?

Em tarde tão quente deixaste-nos frios,

levaste a coragem.


Então amigo, irmão, companheiro,

deixaste-nos sós.

E o silêncio da tua partida

levou tua voz.


Foram contigo cantigas em flor

desde a “Cinderela”

aos “Versos de Amor”.

Tudo o que escreveste

e tantos cantámos de ti,

todos os meninos sabiam de cor:

desde o “Play Back”

ao “Peão das Nicas” do Senhor Doutor.


E fomos tantos os teus companheiros

na curta jornada.

Mas nós levaremos as tuas canções

pela mesma estrada.


Do “Vinho do Porto” ao velho “Foguete”

e ao “Estebes” também.

Brincava com as notas e com as palavras

ai, como ninguém.


Do teu “Pó de Arroz”, que fica marcado

nos nossos sentidos,

se eleva um silêncio que sabe a saudade.

Só tinha amigos.


E agora amigo, irmão, companheiro

deixaste-nos sós.

Mas ficam no povo as tuas canções,

pois, Carlos Paião,

o povo tem voz!


António Sala in PALAVRAS DESPIDAS DE MÚSICA (1997)

Gravado em 1990 com música de Carlos Paião

A TRIBUNA DOS POETAS - ANTÓNIO SALA

Livro de letras de músicas feitas por António Sala, como marco comemorativo de 30 anos de carreira deste grande comunicador da nossa cultura radiofónica. Este livro é um desnudar de canções.

https://tertuliabocage.blogs.sapo.pt/42027.html



segunda-feira, 11 de abril de 2016

António Sala


O grupo de António Sala - Maranata - gravou o tema "Minha Escola" de Carlos Paião no álbum "Cores da Música" de 1982.

O álbum "Microfone e Voz", de 1990, inclui o tema "A Um Amigo" com letra de António Sala e Música de Carlos Paião.

O álbum "Histórias", editado em 1993, inclui o tema "Pecado Capital" com o qual Carlos Paião tinha participado em 1985 no Festival da Canção de Lisboa.


Minha Escola - Maranata (1982)

António Sala - A Um Amigo (1990)

António Sala - Pecado Capital (1993)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A Rádio vai ao circo

De cima para baixo
Esquerda para Direita
 

- Nuno Feist e Joel Branco

- Carlos Lopes, Olga Cardoso, António Sala, Henrique Feist, Candida Branca Flôr, Avô Cantigas
- Rodrigo, Carlos Paião e Paulo Frischknecht
 
Emissão especial "A Rádio vai ao Circo"

Facebook António Sala

terça-feira, 25 de outubro de 2011

António Sala

António Sala apresentou a sua autobiografia «Memórias da Vida e da Rádio dos Afectos».

— O seu livro é sobre memórias. Qual a mais marcante?

— Todas, sem excepção, somos uma mistura de muitas coisas, de muitas memórias, de recordações, de histórias e de lições que a vida nos ensinou. Destacar uma é difícil, até porque seria injusto para todas as outras fazê-lo. Este é um livro aberto, que espelha o que sou, sem defesas, como aliás fiz em quase tudo ao longo da minha vida.

— E porque sentiu a necessidade de o escrever?

Há uma história por detrás deste livro. Era muito amigo do Carlos Paião. E como ele era médico perguntava-lhe muitas vezes o que devia fazer quando sentia determinados sintomas. Respondendo à sua pergunta, digo-lhe que senti a necessidade de escrever este livro não por estar em final de vida ou de carreira, não sei o que isso é, mas porque foram muitas horas na estrada, tantas que gostava de as ver eternizadas no papel. A palavra escrita tem outra força, o mesmo não pode dizer-se do que se diz na rádio ou televisão. Essas são palavras que se perdem no tempo...

A Bola

Mediabooks

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Morte de Carlos Paião

'Eu hei-de entrar para o Guiness'. Podia ter sido mais uma das trezentas músicas de Carlos Paião a chegar às lojas. Mas esta “espécie de malhão” nunca saiu da gaveta. Continua numa maqueta, na discoteca pessoal de António Sala, como revelou ao Página1 o “melhor amigo” do “genial criador de temas”, que, há 23 anos, morreu num acidente de viação.

Carlos Manuel de Marques Paião preferia “ser um bom cantor a um mau médico”. Mas foi, primeiramente, a veia vanguardista de compositor e de autor que lhe fechou, de vez, a porta do consultório, apesar do diploma de Medicina.

Após vencer vários festivais regionais de música, nomeadamente em Ílhavo – a sua terra-natal – no arranque da década de 80, o Dr. Paião aventurou-se, já de microfone na mão, no então mítico Festival da Canção. Concurso que um ano depois venceu, graças a 'Playback'.

Quando, em 1982, chega ao programa de televisão 'Foguete', de António Sala e Luís Arriaga, “já tinha bastante protagonismo, já dava nas vistas. Era diferente, avançado para a época. Só mesmo comparado, no mesmo contexto de poesia ligeira do século XX, a Ary dos Santos ou a António Variações”. Ainda assim, a voz do Despertar da Rádio Renascença admite que “a junção da coincidência televisiva e do talento criaram, a partir daí, um grande fenómeno de popularidade". Carlos Paião "ainda hoje é estimado e apreciado por jovens que nasceram após a sua morte" e esse constitui "o maior elogio que se pode fazer a um artista”.

E é assim mesmo que o eterno locutor de rádio define Paião. Às críticas da época sobre a ausência de uma grande voz, responde hoje com a definição de um “intérprete genuíno”, de “tantos e bons temas”, dos quais coloca na pole position 'Pó de Arroz'. Mas são muitos os que ainda permanecem na ponta da língua de muita gente. Talvez por isso, aquela tarde de Agosto, tenha sido de luto em cada casa portuguesa, após a notícia fatídica do seu acidente, em Rio Maior, quando regressava de um concerto em Fornos de Algodres.

“Naquele dia, parte da minha juventude, da rádio, dos espectáculos, da televisão, que fizemos juntos, ficou naquela carrinha”, recorda António Sala.

Mas, como dizia “o homem que a brincar falava bem a sério”, “a amizade é aquilo que fica depois das teias da lei. Por isso, até qualquer dia, porque da vossa simpatia, nunca mais me esquecerei”.

Joana Costa / Página1, 26/08/2011

Nota: Mário Martins já tinha falado do tema sobre o "Guiness" numa entrevista à RDP.

domingo, 8 de agosto de 2010

Microfone e Voz


O álbum "Microfone e Voz" de António Sala, editado em 1989, inclui na contracapa uma carta dirigida a Carlos Paião. Carlos Paião estava para ser o produtor desse disco.

O disco inclui o tema "A Um Amigo" com letra de António Sala e música de Carlos Paião.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

António Sala

«Conheci o Carlos Paião algum tempo antes do lançamento daquele que viria ser o seu 1º disco. Foi-me apresentado por dois amigos, um infelizmente também já desaparecido, Henrique Amoroso. O outro foi o Produtor Mário Martins, grande responsável pela sua descoberta e principal impulsionador de toda a sua carreira discográfica.

Logo aí nasceu uma amizade muito forte e uma enorme ligação afectiva e de trabalho entre mim e o Carlos Paião, que se estendeu igualmente às nossas famílias. Foi um privilégio para mim e o Luís Arriaga trabalhar em televisão na área criativa, com o Carlos. Foi muito estimulante, porque a sua capacidade inventiva era tão grande e de tanta qualidade, que nos obrigava a ir aos nossos limites e a desenvolver as nossas aptidões para o conseguir acompanhar minimamente.

Os nossos maiores esforços eram para o Carlos coisas absolutamente fáceis de ele fazer.

Tinha uma veia criadora invulgar, como guionista, poeta e músico. Um compositor e autor simplesmente fantástico. Nos espectáculos era de um enorme profissionalismo. Tinha o seu espectáculo meticulosamente montado. Era de uma seriedade de processos imbatível. Cuidados levados ao extremo com as suas equipas, o som, as luzes, o reportório, a imagem, a sua forma divertida de comunicar. Aquele estilo meio tímido, meio brincalhão, resultado de uma inteligência invulgar e com intuição do equilíbrio perfeito e único num homem muito culto.

No seu quotidiano era uma pessoa "loucamente" divertida. Sabia criar muito bom ambiente e era muito amigo dos seus amigos. Gostava de pregar partidas aos que o rodeavam.

Apesar de uma grande timidez, o Carlos vencia por vezes essa sua característica, com posturas que se poderiam considerar "politicamente incorrectas". Tinha enormes qualidades, destaco a seriedade, lealdade, sentido de justiça e espírito solidário.

Apesar de ter uma licenciatura em medicina, sempre que o consultávamos sobre assuntos relacionados com saúde "fugia" do tema a sete pés. Brincava de forma descomplexada com aquilo que considerava a sua "falta de vocação" e apontava logo para a sua mulher, a Dr.ª Zaida - também ela médica - para ser ela a responder a qualquer dessas questões. Se insistíamos com ele gracejava dizendo coisas do tipo "...tu queres mesmo é morrer! Não tens amor nenhum à vida! Queres mesmo que seja eu a tratar-te? OK, vamos lá tratar do burro" e outras frases do género.

Tinha todas as receitas, mas para a "medicina" da música, para isso sim, tinha sempre os melhores "remédios" em notas musicais e poemas ou textos. Felizmente estão aí para se ouvir e ler. Como são fantásticos e intemporais. Carlos Paião foi um artista genial e um homem maravilhoso. Uma das melhores pessoas que passou pela minha vida.

Ainda hoje choro a morte deste amigo e o seu desaparecimento foi dos momentos mais dolorosos que vivi. Sobram-me felizmente muitas e boas recordações. Espectáculos que fizemos juntos em Portugal e no estrangeiro. Também televisão e muita rádio.

O Carlos valorizou o meu programa "Despertar" com participações que foram inesquecíveis. Ficam entre nós vários discos, canções e acima de tudo a cumplicidade de ter partilhado uma amizade única com um homem e artista de talento único. Carlos Paião é um dos melhores criadores musicais do século XX no nosso País.»

António Sala

(Prefacio do livro "Inspirada na Minha Paixão - Carlos Paião 1957-1988")

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Alexandra


Passeio de Charrete/Pólvora (Single, Rossil, 1981) 

    Passeio de Charrete - autoria de António Rosa e Carlos Paião 

    Pólvora - autoria de Carlos Paião e António Sala 

Os dois temas foram interpretados no programa Sabadabadu especial de fim de ano - 1981

Tudo Acabou - Alexandra (1988) 

Aparece numa compilação de Alexandra editada em 1988. "Tudo Acabou" foi regravado em 1993 por Fafa de Belém.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Foguete

Ficha IMDB

Programa de variedades passado num comboio (Foguete) que era apresentado por Carlos Paião, Luis Arriaga e António Sala. Os três cantavam o genérico que foi lançado em single.

Fernando Mendes estreou-se em televisão neste programa que aliava a música ao humor: «Foi aos 19 anos, num programa de música portuguesa que se chamava "O Foguete", com António Sala, Luís Arriaga e o meu querido amigo Carlos Paião». fonte: CM
«Teve uma critica muito violenta e vendo-a agora, dou-lhe razão. Não foi bem entendido, foi um tiro de pólvora seca». António Sala ao DN, 2007

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

As Canções de Carlos Paião


AS CANÇÕES DE CARLOS PAIÃO (EMI, 2006)

01. Trocas E Baldrocas - Cândida Branca Flor
02. A Canção Do Beijinho - Herman José
03. O Senhor Extraterrestre - Amália Rodrigues
04. Play-Back - Nonstop
05. Refilar Faz Mal À Vesícula, Mais O Diabo A Sete - Os Carrapatos
06. Quanto Mais Te Bato - Ana
07. Sol Maior - José Alberto Reis
08. Eles Foram Tão Longe - Lenita Gentil
09. A Gente Cresce, Cresce - Joel Branco
10. Tudo Acabou - Alexandra
11. Não Me Cantes Esse Fado - Nuno da Câmara Pereira
12. Eu Já Namoro - Pedro Couceiro
13. Ai Fadinho - José da Câmara
14. Ai Que Pena - Mísia
15. Estou Velho - Nuno da Câmara Pereira
16. Lá Longe Senhora - Dulce Guimarães
17. Fado Reguila - António Mourão
18. O Fado É Fixe - Vasco Rafael
19. Viver, viver (Chamar A Toda A Gente Meu Irmão) - Carlos Quintas
20. Bamos Lá, Cambada! - Herman José com Alexandra, Luís Represas, Dany Silva e Carlos Paião

FAIXA BÓNUS Cinderela - Carlos Paião

Em 2006 é editada uma compilação com alguns dos temas escritos para outros artistas e algumas versões dos seus temas.

resumo do disco: 14 colaborações; 4 versões (se considerarmos "Ai Fadinho" de José da Camara); 2 inéditos anteriormente gravados (Misia/José Alberto Reis) . Inclui também "Cinderela" que tinha sido a canção vencedora do concurso da RTP.

Informação constante do site da Rádio Renascença respeitante ao programa António Sala à conversa com João Gobern e Mário Martins sobre Carlos Paião:
Sábado, 25 de Novembro de 2006

Carlos Paião: Um programa para recordar um ícone dos anos 80 em Portugal!

25 anos depois de "Play-Back", António Sala convida o jornalista João Gobern e Mário Martins, que descobriu o músico, para recordar o enorme talento de um dos maiores ícones dos anos 80 em Portugal!

E de facto, nunca saberemos até onde poderia ter ido com o seu talento. Ele que soube, como ninguém, juntar às palavras a música. E, à música, a sua alegria de viver. “Play-Back”, “Pó de Arroz”, “Cinderela” são apenas alguns exemplos da sua criatividade.

Carlos Paião nasceu a 1 de Novembro de 1957 em Coimbra. Aos 5 anos começou a ter lições de acordeão e a partir daí a música nunca mais deixou de o acompanhar. Cresceu a tocar, a cantar e a compor.

A música acabou por se tornar o seu modo de vida, apesar de ter estudado para ser médico. A Medicina foi ficando sempre para trás. Em 1979, era ainda um desconhecido, tinha já guardados na gaveta cerca de 200 temas com possibilidades de vencer no mercado. O primeiro não demorou a ser editado. Chamava-se "Canção do Beijinho" e foi interpretado em 1980 por Herman José!

Romântico, bem-humorado, Carlos Paião só se tornou verdadeiramente popular com “Play-Back”, a canção que o levou ao Festival da Eurovisão em 1981. O single vendeu 80 mil exemplares e depressa se tornou nº1 do “Top” nacional.

Carlos Paião foi autor de muitos temas que outros celebrizaram. Eram dele a música “Bamos lá Cambada”, as canções de Tony Silva ou de Serafim Saudade! E não se limitou à canção. Eram da autoria de Carlos Paião muitos dos “gags” que Herman José celebrizou na TV. Para a Renascença escreveu muitas das "Bocas" do programa “Despertar”.

Em 1982 Amália gravou um maxi-single com dois temas de Paião: “O Senhor Extra-Terrestre” e “O Amigo Brasileiro”. Nicolau Breyner também cantou os seus poemas. Bem como Alexandra, Joel Branco, Dina, Trio Odemira, Carlos Quintas ou António Mourão.

Mas de todos, Cândida Branca Flor foi provavelmente a artista que mais cantou Carlos Paião.

Nos 25 anos de "Play-Back" a EMI decidiu lançar um CD com muitos desses artistas a interpretar essas músicas. Chama-se “As Canções de Carlos Paião”.

Paião morreu a 26 de Agosto de 1988, no dia seguinte ao incêndio do Chiado. Por incrível que pareça, das 500 canções que compôs ao longo da sua carreira, só 50 foram gravadas! E Carlos Paião morreu, ironicamente, um dia depois do grande incêndio ter destruído o arquivo histórico da EMI-Valentim de Carvalho que, como se sabe, foi a editora a que esteve sempre ligado.

Nos anos 80 não será de mais dizer que em Portugal toda a gente sabia cantar (ou pelo menos assobiar!), algum tema de Carlos Paião. É sem dúvida um ícone dessa década que merece a homenagem na Renascença.