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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Maçarico


Mais de quarenta anos depois do meu primeiro encontro com o Carlos Paião, que resultou em grandes sucessos como a "Canção do Beijinho", a marcha do "Serafim Saudade", ou o eterno hino da seleção "Bamos Lá Cambada", tenho agora a felicidade de poder lançar um inédito, descoberta recente que resultou em paixão musical à primeira audição. "Maçarico", é o nome de um cão viciado em música, com uma dona que cantava o fado e um dono caçador. É sobretudo um hino à alegria, ao reencontro com o meu compositor favorito, e sobretudo, ao imenso talento do imortal Carlos Paião. 

Herman José, Facebook

Single disponível em https://orcd.co/macarico

LETRA:

O Maçarico era um cão de várias raças

Tinha pulgas e carraças 

e a rua como cama

Se alguém o olhava, 

soltava logo à cintura

Num acesso de ternura, 

com as patas cheias de lama


O Maçarico arranjou um dono rico

Para o xixi deu-lhe um penico

Mas ele nunca acertava

Só para a música 

o cachorro era dotado

Se a dona cantava o fado, 

então ele colaborava:


Aiaiaiai cantava a dona

Ão ão ão ão ladrava o cão

E lá no bairro toda a gente

Ia buscar mais algodão

Ai ai ai ai tornava a dona

Caím caím gania o cão

Como quem diz

“dona cuidado, com a desafinação”


O Maçarico era um cão tão invulgar

Que com música a tocar, 

tinha um sono mais pachola

Passava horas a mirar uma guitarra,

Uma vez deitou-lhe a garra, 

foi-se a guitarra à viola

O Maçarico teve casotas doiradas

Com catorze assoalhadas, 

WC, aquecimento

Mas como à noite, 

em casa havia canções

Mesmo com chuva e trovões, 

ele dormia ao relento


Aiaiaiai cantava a dona

Ão ão ão ão ladrava o cão

E lá no bairro toda a gente

Ia buscar mais algodão

Ai ai ai ai tornava a dona

Caím caím gania o cão

Como quem diz

“dona cuidado, com a desafinação”


O Maçarico foi à caça com o dono 

Mas estava com tanto sono, 

que dormiu o dia inteiro

De qualquer modo, 

não foi perda muito grande

Pois que se ele visse o sangue, desmaiava só com o cheiro

O Maçarico teve uma paixão canina,

Pela gata da vizinha, 

que ele julgava cadela 

de madrugada

fazia-lhe serenata, 

a pedir a sua pata

Pois gostava tanto dela

Aiaiaiai cantava a dona

Ão ão ão ão ladrava o cão

E lá no bairro toda a gente

Ia buscar mais algodão

Ai ai ai ai tornava a dona

Caím caím gania o cão

Como quem diz

“dona cuidado, com a desafinação”

Mas um dia, 

o Maçarico não voltou para o jantar

Diz o dono para a dona

“talvez não torne a voltar”

Todavia o Maçarico 

não esquecera o seu papel

E voltou com dez cãezinhos, 

com dez maçaricozinhos,

Tão espertinhos como ele

Ai ai ai ai cantava a dona

Ão ão ão ão ladrava o coro

E lá no bairro toda a gente 

dava à sola em desaforo

Ai ai ai ai gemia o dono

Serei assim tão pecador?

E eis a história do cachorro 

Maçarico cantador

(Herman também regravou o tema Vamos Lá Cambada para apoio da selecção portuguesa de futebol)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Intervalo - Biografia de Carlos Paião


Nuno Gonçalo Paula esteve recentemente nos programas "Boa Tarde" da SIC e "A Tarde É Sua" da TVI  para apresentar o livro "Intervalo - Biografia de Carlos Paião".


imagens: Facebook FL ; Canal YouTube de Miguel Meira

Ver a emissão da SIC (com o autor, Zaida Cardoso, Nuno e Henrique, Ana e Joel Branco):

Boa Tarde

Ver a emissão da TVI (com o autor, Herman José e os amigos Paulo Lemos e Maria Helena Martins):

A Tarde É Sua

- Quanto mais leio e ouço falar de Carlos Paião, mais o admiro. Nós, portugueses, temos génios e nem sempre lhe damos o devido valor (Facebook de Fátima Lopes)

- Os pais de Carlos Paião guardam religiosamente roupas e até peluches de infância do cantor.

- Conforme a localidade onde tocava, Carlos Paião fazia uma quadra alusiva ao nome do lugar... Isto sim era proximidade. [a quadra final de uma das canções tinha de rimar com o nome da localidade, foi referido o caso de Sernancelhe devido à dificuldade]

- Era habituar dedicar músicas aos amigos nos seus dias de anos.

- Nos dois programas  foram mostradas letras de canções com "Canção dos Cinco Dedos", "Play-back", "Pó de Arroz" ou de outras escritas na sua juventude como "Auto Retrato de Um Presunçoso" ou "Drama da Musa".



- A biografia do cantor e compositor será lançada brevemente, o autor, Nuno Gonçalo da Paula, levou dois anos a recolher material.

sábado, 10 de julho de 2010

Indio Nelson


O personagem Serafim Saudade era uma caricatura, não assumida, do cantor romântico Marco Paulo. Uma das canções apresentadas no programa "Hermanias" foi uma brincadeira com a canção "To All The Girls I've Loved Before" de Julio Iglesias com o cantor country Willie Nelson. A canção chama-se "Prás Sogras Que Encontrei Na Vida Vento" e Carlos Paião, na personagem de Indío Nelson, acompanha Serafim Saudade.




sexta-feira, 11 de junho de 2010

Bamos Lá Cambada (1986)


Heróica e lusitana gente vamos em frente mas combictamente...

Va lá cambada infantes desportistas, homens de conquistas
Povo que és o meu
Bola redonda e onze jogadores em frente
Sem temores que as tácticas dou eu
Tragam as gaitas, as bandeiras e a pomada
Vamos dar-lhes uma abada, ensinar-lhes o que é bom
Vamos mostrar a esses carafunchosos
Por momentos gloriosos
Quem é a nossa selecção

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL

É atacar agora e defender para fora
Eles são toscos e nem dão para aquecer
Suar a camisola e até jogar sem bola
E disfarçar para o árbitro não ver
No intervalo, solteiros contra casados, fandangos, chulas e fados
Para aprenderem como é
Durante o jogo, qualquer caso lá surgido
Só pode ser resolvido à cabeçada e ao pontapé

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL

Os portugueses já provaram muitas vezes
Saber ser uns bons fregueses das grandes ocasiões
Nesta jornada nem que seja à pantufada
Nós estaremos na bancada muito mais de dez milhões
Força Portugueses!

Viva Portugal, Portugal, Portugal...
Viva Portugal, Portugal, Portugal...

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é efectibamente
Futebol total
Temos de ter coragem, muita força
Pensem nos vossos antepassados có nada
Muito orgulho, muita vivacidade
E vai... e um, dois, e um, dois...
E vai lá... e cruza... e é golo, e é GOLOOOOOOOOOO

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL




"Bamos Lá Cambada" é interpretada por José Estebes (personagem criada por Herman José), Alexandra, Luís Represas, Carlos Paião e Dany Silva. A estes junta-se um coro constituído por Diana, Vitorino, Marco Paulo, Peter Petersen e Jorge Fernando.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Canção do Beijinho


http://www.letras.terra.com/herman-jose/1053167/

Ai rapariga, rapariga, rapariga
Que só dizes disparates, disparates, disparates
É tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que p'ra tirar tanta asneira não chegam cem alicates.

Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes
Que isso de dar um beijinho já é um costume antigo
Ai quem te disse, quem te disse, quem te disse
Que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo.

Oh chega cá...
Não vou.
Tu és tão linda...
Pois sou.
Dá-me um beijinho...
Não dou.

Interesseira, convencida, ignorante,
Foragida, sua burra,
És a miúda mais palerma, cameloide que eu já vi,
Mas por que raio é que tu queres
Os beijinhos só p'ra ti?

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho (bis)

Ai rapariga, rapariga, rapariga,
Dás-me cabo do miolo, p'ra te levar com cantigas.
Ai mas que coisa, mas que coisa, mas que coisa,
Diz lá por que não és como as outras raparigas.

Quando eu pergunto se elas me dão um beijinho,
Dão-me tantos, tantos, tantos, que parecem não ter fim
E tu agora estás com tanta esquisitice
Que qualquer dia já queres e não sabes mais de mim.

Dás ou não dás?
Não e não.
Então dou eu...
Oh! isso não.
Dá-me um beijinho...
Não dou não.

Não dás porquê, sua esganada, egoísta,
Malcriada, sua parva,
Só se pensas que eu acaso tenho
a barba mal cortada
E vê lá se tens receio que a boca fique arranhada

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho (bis)

Então dá lá...
Já disse.
Eu faço força...
Que parvoíce.
Dá-me um beijinho...
Oh que chatice.

Analfabruta, pestilenta, hipocondríaca,
Avarenta, bexigosa,
Vou comprar um dicionário
Que só tenha nomes feios
Para eu te chamar todos
Até teres o ouvido cheio.

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho (bis)

http://rateyourmusic.com/release/single/herman_jose/cancao_do_beijinho/

O tema foi incluído no álbum "Canção do Beijinho" e que Herman José também designa por "Surpresa". O single foi um grande sucesso.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Serafim Saudade



O Verdadeiro Artista - Serafim Saudade (LP, EMI, 1985)

Serafim Saudade
O Meu Automóvel
Tango Para Portugal
Mulher, Mulher
canção Universal da Esperança em Portugal (co-autoria com Henrique Amoroso)
Diz-lá
O Verdadeiro Artista
mentirosa
Tempestade de Ciúme
Prás Sogras Que Encontrei Na Vida
Vento, Ventinho
Adeus, Publicuzinho
O Verdadeiro Artista/O Meu Automóvel (Single)

Texto no site Cdgo:

Serafim Saudade foi talvez o personagem que mais popularizou e identificou o seu criador, Herman José e o seu programa Hermanias.

A fórmula já tinha sido testada em 1981 com a figura do Tony Silva que inclusive editou nesse ano no formato single o êxito "Tony Silva Canta Música Ró".

Quatro anos mais tarde surge Serafim Saudade, mitico cantor pimba e tido como o Verdadeiro Artista (será que Marco Paulo saíu a lucrar ?...).

O certo é que houve sempre uma perfeita diálise entre Serafim Saudade e o seu publicuzinho que nunca perdia as cantorias e as famosas anedotas sem graça com que entretinha a assistência... "Querem outra?" e contava mais uma.

O certo é que o personagem com cabelo de manjerico ficou para a posterioridade assim como o autor de todas as músicas- Carlos Paião. Este LP tem o condão de mostrar as grandes qualidades de escrita e composição de Carlos Paião e para quem admira este autor o registo mostra bem essa parte de génio das coisas simples.

Infelizmente nem sempre o destino simpatiza com tais qualidades humanas e deixa por vezes um sabor amargo para quem pedia mais do mesmo... como dizia o Provedor Eclesiástico Diácono Remédios "... o artista é um artista, não havia nechexidade..."

Edição original da EMI/ Vecemi. Vinil usado, raro e em muito bom estado.

Capa de abrir com as letras (inclui o pente original personalizado como faz referência na edição).

Por: Francisco J. Fonseca / CDGO

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Herman José


Disse Herman: -"Um tipo que, dentro em breve, será dos autores mais importantes da música portuguesa."

in Correio da Manhã, 31 de Agosto de 1980

a propósito do novo single, Bailarico, da autoria de Paião: -"...uma tentativa de fazer uma coisa mais ou menos digna, com ritmo, bem cantada e com bom balanço. A nível de singles é das coisas mais engraçadas que eu já fiz..."; "...é a aproximação daquele lugar que quero ocupar."

in A Tarde, 4 de Julho de 1980

"...como seriamente confessa ao DN ter chorado, este homem do riso, quando morreu Carlos Paião": "não aguentei ao ver o rosto daqueles pais, que tinham perdido a sua única razão de ser. Nunca tinha chorado assim na vida."

in Diário de Notícias, 18 de Abril de 1992

Lembram-se da música Playback, no Festival da Canção? Depois de cantada por Carlos Paião, ficou na boca de todos... Além da relação profissional que mantinha com Herman, Paião era amigo dele. Por diversas vezes, escreveu-lhe letras e músicas, como algumas do album Surpresa, e o single Bailarico.

http://www.citi.pt/hermanet/carlos_03.html

"É difícil imaginar este tipo - que adora fazer palhaçadas diante das câmaras de televisão, que enfrenta o público com o à-vontade de quem recebe meia dúzia de amigos na sua casa, que canta coisas tão insólitas como "A Canção do Beijinho" - sentado quase sem sorrir, a conversar sobre projectos, ideias, fazendo o ponto da sua carreira. (...) o seu êxito mais recente, a "Canção do Beijinho", que caiu no gosto das gentes, subiu ao Top das mais vendidas. (…) 'Já se venderam mais de 40 mil discos. Vamos a ver se chego ao disco de ouro.'"

in Correio da Manhã, 31 de Agosto de 1980

http://www.citi.pt/hermanet/fram_fla_krippall.html



Para o novo disco, editado em 2009, Herman José recuperou três temas de Carlos Paião: "Apaixonado", "Tango a Portugal" e "O Meu Automóvel".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Herman na Homenagem a Carlos Paião em Ílhavo


Bamos Lá Cambada


Além de escrever algumas músicas para Herman José, de onde se destaca "Canção do Beijinho", voltaria a colaborar com Herman José em "Hermanias " onde foi o autor das músicas do personagem Serafim Saudade. Voltaria a colaborar no programa "Humor de Perdição" de 1988.

Em 1986, Carlos Paião foi convidado pela editora a escrever um hino não oficial da Selecção Portuguesa de Futebol que se apurou para o Mundial do México.

"Bamos lá cambada" é interpretada por Estebes (personagem de Herman, conhecido já desde os tempos do "Tal Canal") e por Carlos Paião, Alexandra, Luís Represas, Dany Silva e por um coro constituído por Diana, Vitorino, Marco Paulo, Peter Petersen e Jorge Fernando.
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Em 1986 Herman José na pele do famoso locutor desportivo do norte José Estebes lança o repto nacionalista em vinil "Bamos Lá Cambada" para que os nossos rapazes lá no México fizessem boa figura... Infelizmente fizeram figuras de urso no que foi considerado o desastre de Saltilho (espécie de Alcácer Quibir do Futebol, aliás até perdemos com Marrocos). Nada no entanto fazia prever tal desenlace e apoio foi o que não faltou...Para este "Hino" José Estebes teve a melhor equipa de sempre, senão vejamos: o grande Carlos Paião (música, texto), um quarteto de óptimos solistas (Luis Represas, Alexandra, Dany Silva, Carlos Paião) e ainda como partipantes do coro alguns nomes sonantes (Marco Paulo, Vitorino e Jorge Fernando). Como é agora habitual dizer - Foi melhor o resultado (o disco) que a exibição! Para quem sempre foi apreciador do nosso saudoso Carlos Paião aqui fica um excerto da letra que vem impressa na contracapa: "...Tragam as gaitas, as bandeiras e a pomada / Vamos dar-lhes uma abada / Ensinar-lhes o que é bom / Vamos mostrar a esses escarafunchosos / Em momentos gloriosos / Quem é a nossa selecção..."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Herman José




Canção do Beijinho/Eu Não Sei de Ti, Eu Não Sei de Ti - Herman José (Single, Polygram, 1980)

Canção do Beijinho - Herman José (LP, 1980) - com os dois temas do single e "Não Descalces os Sapatos"

Bailarico / Apaixonado - Herman José (Single, Polygram, 1981) 2063070

Falta d'Ar - Herman José (lado b do Single "Tôfartudeti", Polygram, 1981) 2063079

Notas:

Herman José participou no Festival da Canção de Slanchev Briag, na Bulgária, com "Apaixonado".

Há ainda a acrescentar os discos de Serafim Saudade, o single "Bamos Lá Cambada" de Estebes (1986) e as canções do "Show do Esteves" pertencente ao programa "Humor de Perdição".