Mostrar mensagens com a etiqueta ngp. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ngp. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Entrevista a Nuno Gonçalo da Paula

"Carlos Paião é uma figura muito querida"

O aveirense Nuno Gonçalo da Paula, não se assume como escritor, mas já tem dois livros publicados, o primeiro sobre o compositor Nóbrega e Sousa (Aveiro, 1913 – Lisboa, 2001), o segundo, “Intervalo”, sobre Carlos Paião. O músico de Ílhavo mostra que “mais vale um caminho difícil mas de acordo com os nossos princípios e real valor do que andar ao sabor do vento e das modas”, afirma o biógrafo.

CORREIO DO VOUGA - No dia 5 de Novembro foi lançado em Lisboa “Intervalo”, a biografia de Carlos Paião (1957-1988). Como tem sido a recepção desta obra?

NUNO GONÇALO DA PAULA - Tem sido bastante positiva, quer da parte do público quer da comunicação social. Carlos Paião é uma figura muito querida. Há uma empatia com o seu nome e a sua memória por parte de toda a gente, e grande audiência aos programas de televisão onde o livro foi pré-lançado com a presença de familiares, amigos e colegas de Carlos Paião e de mim próprio, que ajudam a aguçar a curiosidade do público em relação à obra.

CDV - Porque decidiu escrever sobre Carlos Paião?

NGP - Da música portuguesa dos anos oitenta, apenas duas personalidades me chamaram fortemente à atenção: António Variações e Carlos Paião. O primeiro, mais até do que fenómeno musical, será um fenómeno estético e de mutação de mentalidades. Já Carlos Paião é nitidamente um caso musical, de grande qualidade e excelência na ligação que faz com a música e a palavra, e também entre a música ligeira portuguesa e a nova música. Pela admiração que tenho pelo artista e pelo respeito que nutro pelo lado humano de Carlos Paião, pensei em investigar a sua obra e traçar os aspectos mais importantes da sua vida.

CDV - O seu trabalho conta com depoimentos de muitas personalidades, principalmente ligadas à música, porque Carlos Paião era, como disse, querido no mundo do espectáculo?

NGP - Muitíssimo, mas não só na música. Tive o privilégio de ver o livro prefaciado pela Dr.ª Maria Barroso, sugerido pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa e apresentado pelo jornalista Joaquim Letria. Mas, de facto, na música, era muito querido por muitos, desde a Amália Rodrigues, passando por Herman José, a Florbela Queiroz, Raul Solnado, Nicolau Breyner... Tanta gente... Sobretudo há o lado humano e solidário que ressalta em todos eles e a admiração por um colega que, em dez anos de actividade profissional, escreveu belíssimas canções, interpretadas por si, e também muitas outras espalhadas por vários artistas com generosidade e atenção em dar a canção que poderia valorizar a voz de cada um.

CDV - Quando se escreve a biografia de alguém, por vezes os biógrafos tornam-se íntimos dos biografados, mesmo que os separe muito tempo. Isso aconteceu consigo?

NGP - Há uma fácil identificação com Carlos Paião. Ele morreu com mais três anos de vida à idade que tenho hoje, o que evidencia ainda mais admiração por ele. Em muitas ocasiões tracei um paralelo com as suas inquietações e lutas sem sucesso à vista. Principalmente fez solidificar a ideia de que mais vale um caminho difícil mas de acordo com os nossos princípios e real valor do que andar ao sabor do vento e das modas.

CDV - Do que gostou mais de descobrir?

NGP - Quando me desloquei a casa da viúva de Carlos Paião, pedi para que ela me mostrasse alguns manuscritos, que sabia existirem, com as letras das canções que ele foi escrevendo. Fui surpreendido ao ver uma gaveta enorme repleta de papéis escritos à mão e dactilografados. Carlos Paião tinha sobretudo as suas canções na cabeça e sempre a fervilhar na ideia frases e compassos, daí a facilidade em compor. O aparentemente fácil pressupõe um árduo trabalho interior. Deparei-me então com essa gaveta, e alguns dos poemas que lá encontrei estão reproduzidos “fac-simile” no livro. Nesse aspecto, chamo a atenção para alguns inéditos que apresento, particularmente um que Amália gravou e ainda hoje a Valentim de Carvalho espantosamente conserva sem publicitar.

CDV - Qual a maior dificuldade na investigação da vida deste cantor?

NGP - Não tive dificuldades de maior. Se pensar que no livro anterior, tive as décadas de 1930 e 1940 com três ou quatro notícias, e a vida artística de Carlos Paião concentra-se em dez anos, muito bem documentados com dezenas de entrevistas que foi concedendo e artigos vários, tive bastante sorte. A dificuldade, mas também o fascínio, foi recolher toda a discografia dele, quer em nome próprio quer como autor. Faltam-me três discos para a completar. Quem sabe um dia...

CDV - Escreveu uma biografia de Nóbrega e Sousa, “Música no Coração”, e agora esta sobre Carlos Paião. Assume-se como biógrafo de cantores?

NGP - Nem escritor me assumo... Fernando Pessoa publicou um livro em vida, eu já publiquei dois, portanto, nem iria pela parte do ser biógrafo ou escritor, não serei nada disso. Apenas me proponho a contar a vida de pessoas que admiro com o máximo de rigor e pesquisa, querendo suscitar o interesse de quem possa ler e também chamar à atenção para alguns aspectos até então pouco referidos nas suas carreiras.

CDV - Tem resultados da venda da biografia de Nóbrega e Sousa? E de “Intervalo”?

NGP - Sim. A de Nóbrega e Sousa tem a primeira edição quase esgotada. Quanto a “Intervalo”, pela reacção que me chega de várias pessoas que compraram o livro e o ofereceram, também me parece que as vendas se encaminham bem. Porém, a cultura é sempre a primeira a sofrer quando há cortes a fazer na bolsa das pessoas, embora estes livros estejam, creio eu, a preços acessíveis, dezasseis e dezoito euros.

CDV - Tem algum projecto em carteira?

NGP - Gostava de fazer outros trabalhos, não só ao nível da música mas também de personalidades fora dela. Será uma questão de tempo, de disponibilidade e interesse dos familiares dos biografados e de sorte.

Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira


Correio do Vouga, 16/11/2011

Na obra, Nuno Gonçalo da Paula apresenta testemunhos de personalidades que contactaram com o artista, como António Pinto Basto, António Sala, Carlos Castro, David Ferreira, Dulce Guimarães, Eládio Clímaco, Florbela Queiroz, Herman José, Joaquim Letria, Maria de Lourdes Resende, Mário Zambujal, Mísia, Nuno Artur Silva, Paulo de Carvalho, Rámon Galarza, Raul Solnado, Rodrigo ou Tonicha, entre outros. São ainda apresentadas diversas fotografias do espólio particular dos pais e da mulher ou imagens e textos inéditos. (DA)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Há Conversa

 

CARLOS PAIÃO (Ofélia Paião, Nuno Gonçalo da Paula)
Programa Há Conversa da RTP-Memória - 28/10/2011

Uma justa homenagem a este jovem autor, compositor e intérprete, prematuramente desaparecido do nosso convívio. Em estúdio estará a sua mãe, Ofélia Paião, bem como Nuno Gonçalo, autor do livro autobiográfico sobre Carlos Paião, que foi lançado recentemente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Intervalo

Já está à venda o  livro "Intervalo – Biografia de Carlos Paião", de Nuno Gonçalo da Paula (ISBN 978 972 780 323 1).

Depois da publicação da biografia do compositor Nóbrega e Sousa, Nuno Gonçalo da Paula prossegue as suas investigações no campo da música portuguesa contemporânea com a biografia do cantor e compositor Carlos Paião, falecido com apenas 30 anos, vítima de um acidente de viação. Nascido a 1 de Novembro de 1957, em Coimbra, Carlos Paião viveu a infância em Ílhavo, onde escreveu, aos oito anos, a primeira quadra e, um ano volvido, a primeira composição. Em Lisboa, tornou-se um médico apaixonado pela música. As suas letras forma cantadas por artistas consagrados, como Amália Rodrigues, Fafá de Belém, Nicolau Breyner, Raul Solnado, Herman José, Florbela Queiroz, Joel Branco, ou Lenita Gentil. Vencedor de vários prémios, destaca-se o Festival RTP da Canção de 1981, com o inesquecível Play-Back. O criador de O senhor extraterrestre e Eles foram tão longe editou treze singles e dois LPs, entre 1981 e 1988. A obra inclui numerosos testemunhos, entre os quais os dos pais, esposa, António Sala, Eládio Clímaco, Florbela Queiroz, Herman José, Joaquim Letria, Maria Barroso Soares, Ramon Galarza e o já falecido Raul Solnado.

Nota: Em breve iremos actualizar algumas das colaborações de Carlos Paião que não estão completas neste blog. Discos de nomes como Rodrigo, Cândida Branca-Flor, Fernando Pereira, entre outros.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Intervalo - Biografia de Carlos Paião


Nuno Gonçalo Paula esteve recentemente nos programas "Boa Tarde" da SIC e "A Tarde É Sua" da TVI  para apresentar o livro "Intervalo - Biografia de Carlos Paião".


imagens: Facebook FL ; Canal YouTube de Miguel Meira

Ver a emissão da SIC (com o autor, Zaida Cardoso, Nuno e Henrique, Ana e Joel Branco):

Boa Tarde

Ver a emissão da TVI (com o autor, Herman José e os amigos Paulo Lemos e Maria Helena Martins):

A Tarde É Sua

- Quanto mais leio e ouço falar de Carlos Paião, mais o admiro. Nós, portugueses, temos génios e nem sempre lhe damos o devido valor (Facebook de Fátima Lopes)

- Os pais de Carlos Paião guardam religiosamente roupas e até peluches de infância do cantor.

- Conforme a localidade onde tocava, Carlos Paião fazia uma quadra alusiva ao nome do lugar... Isto sim era proximidade. [a quadra final de uma das canções tinha de rimar com o nome da localidade, foi referido o caso de Sernancelhe devido à dificuldade]

- Era habituar dedicar músicas aos amigos nos seus dias de anos.

- Nos dois programas  foram mostradas letras de canções com "Canção dos Cinco Dedos", "Play-back", "Pó de Arroz" ou de outras escritas na sua juventude como "Auto Retrato de Um Presunçoso" ou "Drama da Musa".



- A biografia do cantor e compositor será lançada brevemente, o autor, Nuno Gonçalo da Paula, levou dois anos a recolher material.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Livro de Nuno Gonçalo da Paula

Género: Biografia
Título: Carlos Paião
Autor: Nuno Gonçalo da Paula
Editora: Âncora

Este Mês à Venda - Junho - Os Meus Livros

Nuno Gonçalo da Paula

Nuno Gonçalo da Paula nasceu na cidade de Aveiro, em Outubro de 1984.


Desde cedo manifestou especial sensibilidade pela História e pela Música. Reunindo estes dois universos, a biografia de Nóbrega e Sousa é a sua primeira obra, através da qual presta tributo a uma personalidade que particularmente admira.

http://www.ancora-editora.pt/biografias/nunogdp.htm

Neste blog já foi publicado um artigo/texto do autor sobre Carlos Paião.

A descrição "Uma Estrela Cadente Que Passou", que aparece no cabeçalho deste blog, foi retirada desse texto.

Procurar na etiqueta ngp

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Nuno Gonçalo da Paula

Carlos Paião faria no próximo dia 1 de Novembro 51 anos. Recordo esta figura da canção portuguesa quando se completam 20 anos da sua morte (26 de Agosto de 1988) e do lançamento do último trabalho, o LP “Intervalo”, e 30 anos da vitória no festival da canção de Ílhavo (15 de Dezembro de 1978).

Existem pessoas que passam na vida do mundo e que deixam a sua marca, não pela longevidade da sua idade, mas por se destacarem dos demais, com uma espécie de marca de água, que se vê através da luz.

Um desses nomes é Carlos Paião que, embora nascido em Coimbra, foi um ilhavense de alma e coração. A sua vida de trinta anos – de um rapaz aparentemente comum – foi uma estrela cadente que passou.

Alguns tiveram o privilégio de lhe tocar com as mãos, e muitos têm o gosto de a ver no céu das suas vidas.

Que há de anormal na vida de um rapaz que o destino levou quando a vida ganha verdadeiramente fôlego e se desenha em traços largos?

Numa época em que qualquer pessoa canta, representa, e é moda ser vedeta (seja por que motivo for), este rapaz simples deixou um legado que ainda hoje é difícil compreender e explicar na soma de trinta anos de vida.

Médico de formação, autor de inspiração, cantor de talento, Carlos Paião cedo manifestou os seus dotes artísticos. Era com facilidade que jogava com as palavras, delas tirava o partido dos sons e dos seus duplos sentidos.

As suas canções (algumas centenas) percorrem vários géneros musicais, o que desde logo é notável. Autores há que se se especializam numa determinada área da criatividade e por lá ficam.
Carlos Paião, porque desprendido de tudo o que é formal, ora escrevia uma canção de humor (para Herman José ou Raul Solnado, por exemplo), ora sentimental (para Cândida Branca Flor), ora canções alegres como o “Senhor extraterrestre”, de Amália, que esteve num livro de leitura da escola, ora temas telúricos de rara beleza, e lembre-se “Eles foram tão longe” ou “Lá longe, Senhora”.

Recordado a obra deste homem, poderá ver-se nas cantigas uma técnica de estranho nome: a do “bolo de bolacha”. As suas obras são para toda a gente: para o intelectual que lê nas entrelinhas a crítica que o autor quer fazer, para os ouvidos comuns, que acham a letra muito bem feita e não raramente começam a trautear a música, e até para as crianças, que lhe acham muita graça.

As crianças foram sempre público fiel e encantado de Carlos Paião.

Muitas vezes se fala na precocidade e genialidade do músico. Nada de mais verdadeiro.

Mas há, possivelmente, naquilo que escreveu – frutos intemporais e de safra que aparecem de tempos a tempos –, raízes profundamente portuguesas.

Há nele um toque de Alberto Janes, outro tanto da música popular portuguesa, e ainda alguma coisa dos seus antepassados paternos e maternos que se apaixonaram também pela música, sendo o melhor exemplo o primo Manuel Paião.

Este autor ilhavense, conjuntamente com Eduardo Damas assinou umas boas dezenas de sucessos, como “Ó tempo volta p’ra trás”. São estas raízes que mais valorizam Carlos Paião. Muitas vezes os artistas, por força da sua intenção de se valorizarem, pretendem ser absolutamente originais.

Mas... como tudo o que nasce sem raiz acaba por flutuar no ar e é levado pelo vento.

Paião enraizou-se bem naquilo que de melhor tem a música portuguesa e a língua pátria e depois, sim, fez o seu caminho, de afirmação artística, com uma profunda originalidade, talento e generosidade.

Será dos traços mais belos do seu carácter. Nunca guardou o melhor que tinha para si mesmo, ele que também foi intérprete. Partilhou, ajudou e motivou muitos artistas portugueses, muitos deles ainda por aí, nos palcos. Tudo isto num rapaz cuja vida se suspendeu aos trinta anos.

Avesso a vaidades, simples no trato e rigoroso em tudo quanto fazia, Carlos Paião passaria neste ano de 2008 os seus cinquenta e um anos de vida, trinta anos depois da vitória no Festival da Canção de Ílhavo e vinte depois do seu LP “Intervalo”.

Foi efectivamente um intervalo, o de Carlos Paião. Os intervalos são sempre para descanso do artista, porque a segunda parte é sempre a melhor.

E a de Carlos de Paião é sem dúvida a melhor: é a da paz, do reconhecimento em pequenos e grandes, mais novos ou menos novos, do seu trabalho como artista: fresco, leve, mas sempre com mensagem e sentimento, e também como homem. Disse um dia Fernando Pessoa que “partem cedo os que os deuses amam”.

Permitam-me que diga que Carlos Paião estará junto de Deus, no Seu Tempo, certamente ensinando a querubins e serafins novas melodias de louvar a Vida, ele que a viveu na verdade e generosidade e estará de sorriso nos lábios, porque sempre amou a Vida, e contra ela nada nem ninguém pode coisa alguma (nem a morte).

Nuno Gonçalo da Paula, 2008

(também publicado no Correio do Vouga e Notícias de Setúbal)

Nuno Gonçalo da Paula prepara actualmente um trabalho sobre Carlos Paião, no 30.º aniversário da sua vitória no Festival da Canção de Ílhavo e 20 anos após a sua morte. (Correio do Vouga, 26 de Agosto de 2008)