domingo, 8 de agosto de 2010

Microfone e Voz


O álbum "Microfone e Voz" de António Sala, editado em 1989, inclui na contracapa uma carta dirigida a Carlos Paião. Carlos Paião estava para ser o produtor desse disco.

O disco inclui o tema "A Um Amigo" com letra de António Sala e música de Carlos Paião.

sábado, 10 de julho de 2010

Indio Nelson


O personagem Serafim Saudade era uma caricatura, não assumida, do cantor romântico Marco Paulo. Uma das canções apresentadas no programa "Hermanias" foi uma brincadeira com a canção "To All The Girls I've Loved Before" de Julio Iglesias com o cantor country Willie Nelson. A canção chama-se "Prás Sogras Que Encontrei Na Vida Vento" e Carlos Paião, na personagem de Indío Nelson, acompanha Serafim Saudade.




sexta-feira, 11 de junho de 2010

Bamos Lá Cambada (1986)


Heróica e lusitana gente vamos em frente mas combictamente...

Va lá cambada infantes desportistas, homens de conquistas
Povo que és o meu
Bola redonda e onze jogadores em frente
Sem temores que as tácticas dou eu
Tragam as gaitas, as bandeiras e a pomada
Vamos dar-lhes uma abada, ensinar-lhes o que é bom
Vamos mostrar a esses carafunchosos
Por momentos gloriosos
Quem é a nossa selecção

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL

É atacar agora e defender para fora
Eles são toscos e nem dão para aquecer
Suar a camisola e até jogar sem bola
E disfarçar para o árbitro não ver
No intervalo, solteiros contra casados, fandangos, chulas e fados
Para aprenderem como é
Durante o jogo, qualquer caso lá surgido
Só pode ser resolvido à cabeçada e ao pontapé

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL

Os portugueses já provaram muitas vezes
Saber ser uns bons fregueses das grandes ocasiões
Nesta jornada nem que seja à pantufada
Nós estaremos na bancada muito mais de dez milhões
Força Portugueses!

Viva Portugal, Portugal, Portugal...
Viva Portugal, Portugal, Portugal...

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é efectibamente
Futebol total
Temos de ter coragem, muita força
Pensem nos vossos antepassados có nada
Muito orgulho, muita vivacidade
E vai... e um, dois, e um, dois...
E vai lá... e cruza... e é golo, e é GOLOOOOOOOOOO

Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL




"Bamos Lá Cambada" é interpretada por José Estebes (personagem criada por Herman José), Alexandra, Luís Represas, Carlos Paião e Dany Silva. A estes junta-se um coro constituído por Diana, Vitorino, Marco Paulo, Peter Petersen e Jorge Fernando.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Florência

A cantora portuense gravou duas canções da autoria de Carlos Paião.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Canção do Beijinho


http://www.letras.terra.com/herman-jose/1053167/

Ai rapariga, rapariga, rapariga
Que só dizes disparates, disparates, disparates
É tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que p'ra tirar tanta asneira não chegam cem alicates.

Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes
Que isso de dar um beijinho já é um costume antigo
Ai quem te disse, quem te disse, quem te disse
Que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo.

Oh chega cá...
Não vou.
Tu és tão linda...
Pois sou.
Dá-me um beijinho...
Não dou.

Interesseira, convencida, ignorante,
Foragida, sua burra,
És a miúda mais palerma, cameloide que eu já vi,
Mas por que raio é que tu queres
Os beijinhos só p'ra ti?

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho (bis)

Ai rapariga, rapariga, rapariga,
Dás-me cabo do miolo, p'ra te levar com cantigas.
Ai mas que coisa, mas que coisa, mas que coisa,
Diz lá por que não és como as outras raparigas.

Quando eu pergunto se elas me dão um beijinho,
Dão-me tantos, tantos, tantos, que parecem não ter fim
E tu agora estás com tanta esquisitice
Que qualquer dia já queres e não sabes mais de mim.

Dás ou não dás?
Não e não.
Então dou eu...
Oh! isso não.
Dá-me um beijinho...
Não dou não.

Não dás porquê, sua esganada, egoísta,
Malcriada, sua parva,
Só se pensas que eu acaso tenho
a barba mal cortada
E vê lá se tens receio que a boca fique arranhada

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho (bis)

Então dá lá...
Já disse.
Eu faço força...
Que parvoíce.
Dá-me um beijinho...
Oh que chatice.

Analfabruta, pestilenta, hipocondríaca,
Avarenta, bexigosa,
Vou comprar um dicionário
Que só tenha nomes feios
Para eu te chamar todos
Até teres o ouvido cheio.

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Depois dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho (bis)

http://rateyourmusic.com/release/single/herman_jose/cancao_do_beijinho/

O tema foi incluído no álbum "Canção do Beijinho" e que Herman José também designa por "Surpresa". O single foi um grande sucesso.

sábado, 8 de maio de 2010

Escabeche

Após o abandono de Sérgio de Azevedo do teatro ABC, o mesmo passaria a ser explorado até ao seu fecho nos finais dos anos 90 , pelo então empresário Carlos Santos. "Escabeche" seria entao a sua primeira produçao naquele teatro.

Texto: César de Oliveira, Rogério Bracinha e Francisco Nicholson

Música: Carlos Paião, Casal Ribeiro e Mike Sargeant

Direcção e Encenação: César De Oliveira

Director De Companhia: Eugénio Salvador

Coreografia: Eliane Cleo

Direcção de Montagem e Figurinos: Mário Alberto

Maquetes: Hernâni Lopes, Rui Mesquita, Margarida Varejão

Execução Cenográfica: Velez Lima, Jorge Azevedo, Joaquim Ramalho e João Caiado

Elenco

Eugénio Salvador, Florbela Queiroz, Manuela Maria

Artista Convidado: Octávio Matos

Spina, Odete Antunes, Norberto de Sousa, Lina Morgado, Nina Flores, Nuno Emanuel, Alexandra, Isabel Amaro, Fernando Mendes e Fernanda Fonseca.

Pela primeira vez no teatro e como atracção do fado: Marina Rosa.
Estreia: 18/06/1981
Marina Rosa cantou o fado "Esteriótipado".
Imagem, texto e informações retirados de http://www.fotolog.com/parquemayer1/47691616

sábado, 17 de abril de 2010

Tudo Acabou


"Tudo Acabou" foi gravado inicialmente por Alexandra. Em 1993 foi regravado por Fafá de Belém no seu álbum "Do Fundo do Meu Coração".

TUDO ACABOU
Carlos Paião

Talvez um dia sintas saudade
Do nosso amor
Noutros caminhos de outras cidades
Aonde eu for

Mas, por agora, pouco me agrada
Todo este tempo que nos cansou
Não me segures, não digas nada
Tudo acabou

Tu não entendes como consigo
Falar assim
Mas há silêncios que há muito abrigo
Dentro de mim

Não vás mentir-me frases bonitas
Nem me perguntes pra onde eu vou
Abre os teus olhos, vê se acreditas
Tudo acabou

Sinceramente
Perdidamente
Como te amei
Num sonho imenso
De um fogo intenso
Que te entreguei

Não sei se então fizemos bem por tanto amar
Não sei se agora vale a pena recordar
Só sei que a vida pode estar à nossa frente

Sinceramente,
Perdidamente,

Pra ter coragem não foi preciso
Esperar a sorte
Em cada lágrima tenho um sorriso
Que me faz forte

De corpo e alma, como quem ama
Vou ser aquilo que em ti não sou
Adeus amigo, da nossa chama
Tudo acabou

http://www.fafadebelem.com.br/letras/1993_dofundodomeucoracao.doc

segunda-feira, 5 de abril de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Kirka


O álbum editado em 1981 pelo cantor finlândes Kirka inclui uma versão de "A Gente Cresce Cresce" gravado anteriormente por Joel Branco.

SATEINEN PÄIVÄ (4.42)-A Gente, Cresce, Cresce-(säv. C.Paiao, san. R.Reiman, sov. A.Hyvärinen)

Sweden Music Ab

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Árvore

UMA ÁRVORE UM AMIGO

Uma árvore, um amigo
que devemos bem tratar
um amigo de verdade
tão fiel como a amizade
que podemos cultivar.

Sabes que uma árvore

é um pouco de beleza
que protege a natureza
e purifica o nosso ar.
Dá-nos a madeira
e tanta coisa que fascina.
A cortiça ou a resina
mais a fruta no pomar.
Oh! Vamos fazer uma floresta
vem, plantar amigos uma festa
tão rica e modesta
vamos semear

uma árvore, um amigo... (refrão)

Sabes que uma árvore
é um bem de toda a gente
Não estragues o ambiente
não lhes sujes o lugar.

Vamos, vamos, vamos
defender a nossa vida
que uma árvore esquecida
pode às vezes ajudar.
Sim, vamos fazer uma floresta
Vem, plantar amigos uma festa
tão rica e modesta
vamos semear.

uma árvore, um amigo... (refrão)

http://lusografias.wordpress.com/2007/12/17/uma-arvore-um-amigo/

Single de Joel Branco editado em 1984 pela VECEMI - Música e Discos, Lda.
por ocasião do dia mundial da árvore, 21 de Março
contém duas canções da autoria de Carlos Paião ("Uma Árvore, um Amigo" e "Piquenique, Piquenique")

Direcção de orquestra e coros Shegundo Galarza
Coros - Elelmentos do Grupo Infantil da TAP
O Cangurik era a mascote do Nesquik

segunda-feira, 15 de março de 2010

Concerto no Soito

CONCERTOS MÍTICOS – CARLOS PAIÃO NO SOITO

Carlos Paião nasceu em Coimbra, no dia 1 de Novembro de 1957 e faleceu num acidente de viação, no dia 26 de Agosto de 2008, a caminho de um espectáculo em Penalva do Castelo, na antiga EN1. Carlos Paião, sobretudo a partir do momento em que conquistou o 1.º lugar no Festival RTP da Canção, passou a ser muito solicitado para espectáculos, essencialmente no mês de Agosto.

Poucos dias antes do seu abrupto desaparecimento esteve no Soito, onde proporcionou um dos melhores concertos a que tive oportunidade de assistir.

Esse concerto aconteceu no dia 7 de Agosto de 1988.

Carlos Paião era compositor, autor e intérprete das suas próprias composições. Era muito activo, sendo que em 1978 já tinha escritas mais de 200 canções, embora nenhuma tivesse sido gravada, ainda.

Os seus temas tinham muito humor, mas andavam muito longe daquilo que se convencionou chamar música pimba.

As Festas de S. Cristóvão, no Soito, no ano de 1988, tiveram como atracções Lena D’Água, Adelaide Ferreira, Carlos Paião, Jorge Fernando e José Cid.

Acompanhado pela Banda Pátria, que ainda hoje existe como grupo de baile, Paião interagiu muito bem com o (difícil) público do Soito, tendo conseguido cativar muito bem.

O seu principal reportório, no qual se incluíam êxitos como “Gá gago”, “Marcha do Pião das Nicas”, “Pó de Arroz”, “Zero a Zero”, “Cinderela” e outros, fez parte do concerto do Soito.

Carlos Paião, licenciado em medicina, nunca exerceu a profissão de médico, tendo-se dedicado totalmente às cantigas. Apesar disso era uma pessoa de muito bom trato e afável. Foi isso que demonstrou, também, no Soito, quando comeu no restaurante das Festas e foi “importunado” por um grupo de foliões, como se pode ver num vídeo que circula na internet.

Nessa mesma noite actuou a banda de Jorge Fernando, que tinha abandonado o fado (ele que foi guitarrista de Amália Rodrigues) para se dedicar à música ligeira.

Após a actuação da banda de Jorge Fernando, seguiu-se a actuação de Carlos Paião e a sua banda, no mesmo palco, onde estavam montados os dois sistemas de sonorização e instrumentos musicais.

No final do concerto de Carlos Paião, este resolveu chamar ao palco Jorge Fernando e a sua banda, para, todos em conjunto (numa espécie de “jam session”) interpretarem um tema da autoria do autor de “Play Back”. Confesso que já não me recordo de qual tema foi interpretado pelas duas bandas, mas ficou-me isso na memória. Este facto só comprova a grande humildade de Carlos Paião. Ao ter convidado para partilhar o palco com ele demonstrou que não pessoa para grandes vedetismos e que era capaz de ser solidário com a banda que actuou antes dele. Se se referir que o concerto de Jorge Fernando não correu muito bem, ainda teremos que aplaudir mais a atitude de Carlos Paião. Não são todos os artistas que fazem isso, já que as pequenas intrigas e invejas também fazem parte do meio artístico português.

Por acaso estava eu em Lisboa, quando ouvi, numa rádio, a notícia do acidente que vitimou Carlos Paião.

Não pude deixar de recordar que ainda há bem pouco tempo o tinha visto no Soito, num espectáculo fantástico.

Viva Carlos Paião!!

Por: Aristides Duarte Nova Guarda, 12/11/2008

http://www.novaguarda.pt/noticia.asp?idEdicao=154&id=9281&idSeccao=1931&Action=noticia

Imagem e video em Jornal Cinco Quinas

domingo, 28 de fevereiro de 2010

João Gobern

Pelo sonho é que vamos? Seja. Permita-se então que se abra esta conversa, longe de estar acabada, com uma convicção que, infelizmente, nunca poderá transformar-se em objecto de prova - se Carlos Paião fosse vivo e tivesse mantido a qualidade de produção, tanto para uso próprio como para partilha com os seus próximos, do seu curto percurso como profissional, a musica portuguesa não teria sido obrigada a tolerar as aberrações e disparates com que se viu forçada a conviver nos últimos anos.

Caso dos "pimba", os de recorte meloso (ser romântico é outra coisa, certo?) ou os de perfil brejeiro, para não lhe chamar ordinário como se calhar mereceriam. Mas também das "bands", de "boys" ou de "girls", recrutadas pela fotografia de corpo inteiro e não pelo microfone ou por quaisquer outros talentos que se percebam em disco ou em palco. De resto, havia algo de ironicamente premonitório na canção que mostrou Paião ao grande público: "Podes não saber cantar / Nem sequer assobiar / Concerteza que não vais desafinar / em play-back". Quantos reconhecemos capazes de caberem neste pré-aviso, muito mais hoje do que há duas décadas, quando "Playback" ganhou o Festival da RTP?

Mas como poderia um só homem ter travado os "ventos adversos"? Como seria possível a Carlos Manuel de Marques Paião, nascido a 1 de Novembro de 1957, em Coimbra, combater tendências e estrelinhas de pés de barro, que só serviram para baixar o nível médio daquilo que a produção nacional globalmente nos oferece? A resposta é surpreendentemente linear: à data da sua morte, Paião era o mais sólido dos valores da música ligeira portuguesa, sendo também um dos seus mais jovens praticantes. Tinha percebido que a popularidade nada tinha de incompatível com a qualidade, com a aventura, com a mordacidade, com a inteligência. Daí que, apesar das centenas de canções que mantinha "na gaveta" e que mostrava aos mais íntimos, sentado diante do inseparável orgão em que compunha e esboçava os primeiros arranjos, nunca perdesse de vista um filtro apertado, uma bitola de exigência que a si mesmo impunha e que nunca baixou, mesmo nos anos em que o deslumbramento o empurrava para se deixar cair em tentação. Hoje, sabendo do seu desaparecimento prematuro, até podemos lamentar que tenha deixado menos de uma dúzia de singles e dois álbuns, "Algarismos" e "Intervalo", o último dos quais já com edição póstuma. Mas Carlos Paião, que nem teve tempo de ensaiar aquilo a que agora chamaríamos com pompa e circunstancia "a gestão de carreira", era um rigoroso e implacável administrador do seu talento, preferindo passos seguros a saltos mal calculados.

Ele era assim, directo e transparente, na música, como na vida. Começou a escrever canções aos sete anos, revelou-se num festival de província (em Ílhavo, para ser preciso) quando já estava a caminho de se tornar medico, profissão que as cantigas nunca o deixaram exercer. Confessava, aliás, que preferia ser "um bom músico a um mau médico". Chegou à sua editora de sempre com a humildade que nunca despiu e, ao menos uma vez, teve a sorte do seu lado: a cassete com as suas criações foi parar às mãos de Mário Martins, um teimoso descobridor de vocações que nunca se impressionou com os cepticismos iniciais dos "juízes" e com os preconceitos habituais face ao género. Concorreu ao Festival da Canção em 1980 com "Amigos Eu Voltei" que, não lhe valendo a glória, começou a contribuir com a frescura e a segurança do tema, se lhe fixasse o nome. Os capítulos seguintes romperam, de vez, com o anonimato. Primeiro quando as suas canções foram ouvidas e "aprovadas" por Amália Rodrigues que, caso raro, gravou mesmo "O Senhor Extra-Terrestre". Depois, logo em 1981, quando venceu de forma clara, ultrapassando favoritismos pré-fabricados, o Festival RTP: com o bem disposto "Playback".

Tinha 23 anos e "furava" o sistema que já então privilegiava antiguidades como postos e, no campo oposto, inventava vedetas meteóricas condenadas a durar apenas os três minutos de uma canção.

Os anos imediatos, se bem que lhe fossem vaticinados tropeços e quedas, foram de constante crescimento. Escreveu e publicou clássicos como "Pó de Arroz" (que, insisto, é uma das mais belas do património português) e "Discoteca" (que chegou a ser tema de uma aula de Português ... no Brasil), deu largas ao seu domínio perfeito da Língua em "Marcha do 'Pião das Nicas" e"Zero-A-Zero", demonstrou como a ingenuidade também faz falta à vida em "Os Namorados" ou "Canção dos Cinco Dedos". E deixou uma das criações que, de forma superior, retrata uma parcela de Portugal e do seu povo - a genial "Vinho do Porto" que, ainda hoje, ninguém percebe como não ganhou o Festival RTP de 1983. Esse tema bastaria, afinal, para lhe dar razão na defesa que fazia da música ligeira, desde que se mantivesse próxima de quem a consumia e, em simultâneo, não optasse pelas vias rápidas do facilitismo e da produção "a metro". Em entrevista, foi capaz de chegar à síntese perfeita para explicar o casamento entre a acessibilidade e a riqueza, nas melodias como nos textos. "O simples dá muito mais trabalho. Complicar e baralhar é muito mais fácil"... Ainda desta vez tinha razão não perdendo consciência dos "riscos" que esse lema implicava perante uma "intelligentsia"' carregada de dogmas e de vendas nos ouvidos.

Paralelamente. Carlos Paião já se afirmava como o único legítimo e brilhante descendente de uma tradição musical- a da sátira, a do humor. O grande cómico português das últimas décadas, Herman José, não hesitou em recrutá-lo para uma (então) reduzida equipa de criativos, pedindo-lhe letras e músicas para ajudar a dar vida e graça a alguns dos seus personagens de eleição. Paião escreveu quase todo o material que ajudou a dotar de dimensão nacional e a erguer como caso mediático O inesquecível Serafim Saudade, que chegou a gravar um disco em nome próprio, na sequência do programa "Hermanias", em 1984. Dois anos mais tarde, Paião tomou conta do não menos notável José Estebes, garantindo-lhe as canções que se ouviram ao longo da série "Humor de Perdição". De resto, aproveitando a colocação privilegiada do comentador nortenho no universo futebolístico, havia de ser Paião a escrever o "hino", não oficial mas popular, da selecção nacional de futebol que foi ao México para competir no Campeonato Mundial -"Bamos Lá Cambada", de melhor memória do que os jogos propriamente ditos.

Carlos Paião foi sempre um parceiro íntegro, um convicto esgrimista das suas ideias e um óptimo colega. Quando alcançou o estatuto de valor seguro, foi atirado para 0 papel de vítima de uma "febre" em que os agentes de contágio eram precisamente os cantores que queriam, a todo o custo, contar com "uma coisinha do Paião" para ajudar a disparar os respectivos trabalhos. Nunca se iludiu - sabia que a generosidade acabava par lhe ser prejudicial, mas lá foi distribuindo canções a meio mundo, de Nicolau Breyner a António Mourão, passando par muitos outros. Nunca abdicou do seu combate pela valorização da música ligeira e da musica portuguesa em geral: recordo, por exemplo, a tarefa ciclópica a que meteu ombros, sintonizando durante dias inteiros os canais de rádio existentes para poder demonstrar, com estatísticas documentadas, que a percentagem de produção nacional neles difundida se traduzia num evidente atropelo a uma lei de protecção que nunca foi cumprida e, agora, esta perdida numa qualquer "prateleira" carregada de pó e de esquecimento.

Tinha 30 anos quando, a caminho de um dos 100 espectáculos que cumpria anualmente, vetando sempre o "playback" que tantos louros garantiu a outros, uma estrada traiçoeira lhe cortou a obra e a vida. Nos termos actuais, dir-se-ia que dispunha de uma "margem de progressão" que acabaria por justificar a inclusão nos seus discos de um autocolante que chegou a estar pensado para o seu segundo álbum - referiria o aparecimento da "nova musica ligeira", por oposição aos que a tinham deixado envelhecer e decair. Não houve tempo: Carlos Paião morreu a 26 de Agosto de 1988, no dia seguinte ao incêndio que matou 0 velho Chiado lisboeta. Mas, se aquele retiro da alma lisboeta demorou tantos anos a ressuscitar, talvez fosse preciso também este intervalo para voltarmos a cruzar-nos com as melhores canções de um autor maior, matéria-prima mais do que suficiente para se dizer que sobrevive e continua a render um autêntico manual de boa música, não se perdendo o carácter "alternativo" que, já à época da sua publicação, representava no panorama português.

Este disco - "PERFIL" - que traz de volta Carlos Paião é, necessariamente, uma homenagem a um artista que nem mesmo a classe, que tão eficazmente representou e tão energicamente defendeu, soube preservar - se calhar, está-nos no sangue esta terrível herança do esquecimento... Mas julgo que, se ele ainda tivesse uma palavra a dizer sobre a forma de ouvir aquilo que nos deixou, juntaria ao sorriso meio tímido o conselho de uma audição atenta e sem preconceitos, capaz de reconhecer os méritos a quem nunca se interessou por personificar uma moda mas nunca desistiu de fazer as coisas a seu modo. Pego, de novo, no discurso directo: "Faz-me alguma confusão o desprezo com que se olha a musica ligeira - ela é um veículo importante para as pessoas da província que, para mim, começa a vinte quilómetros de Lisboa. (...) Acredito nos méritos desta musica, que só é maltratada em Portugal, onde ainda não se entendeu a necessidade de admitir um espaço próprio para ela, onde os 'snobs' tomaram conta de uma boa parte da crítica e podiam, ao menos, ouvir os discos que lhes são oferecidos antes de escreverem, então, bem ou mal."Esta conversa, a tal que não acaba, tem uns quinze anos. Mas, se pudéssemos continuar a dar voz activa ao Carlos Paião, não acredito que esta firmeza se tivesse esboroado. Muito pelo contrario: mesmo que o seu combate continuasse a parecer quixotesco, ele continuaria a manifestar-se contra os (falsos) gigantes dos moinhos que, é ponto assente, nos moem a paciência e o juízo.

Tenho saudades do Carlos. E, percebo melhor agora, também tinha saudades de o ouvir.

João Gobern
(texto incluído no livreto do disco "Perfil" de 2007)
Nota: o texto que o jornalista João Gobern escreveu aquando da morte de Carlos Paião, no jornal "A Capital", aparece publicado na reedição de 1991 da compilação "O Melhor de Carlos Paião".

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Festival da Canção


A Valentim de Carvalho editou o duplo álbum "Festival da Canção", no âmbito de uma Antologia da Música Popular Portuguesa de que era o quinto volume. O disco (VC 3VCLPD 10026) nunca foi, infelizmente, transposto para CD.

O primeiro LP contém "Oração" (António Calvário, 1964), "Nunca Direi Adeus" (Conjunto Académico João Paulo, 1966), "Quando Amanhecer" (Duo Ouro Negro, 1967), "Sou Tão Feliz" (Marco Paulo, 1967), "Fui Ter Com A Madrugada" (Rui Malhoa, 1968), "Balada Para D. Inês" (Quarteto 1111, 1968), "Canção Ao Meu Piano Velho" (Simone, 1968), "Sol de Inverno" (Simone, 1965), "O Vento Mudou" (Eduardo Nascimento, 1967), "Cantiga" (Fernando Tordo, 1969), "Tenho Amor Para Amar" (Duo Ouro Negro, 1969), "Folhas Verdes" (Maria da Glória, 1969), "Adeus, Velha Amada" (Duo Orpheu, 1970), "Verde Pino" (Daphne, 1971) e "Verão" (Carlos Mendes, 1968).

O segundo inclui "Desfolhada Portuguesa" (Simone, 1969), "Se Quiseres Ouvir Cantar" (Tózé Brito, 1972), "Vem O Caminheiro" (Manuel Vargas, 1972), "Apenas O Meu Povo" (Simone, 1969), "É Por Isso Que Eu Vivo" (Paco Bandeira, 1973), "A Rosa Que Te Dei" (José Cid, 1974), "Imagens" (Green Windows, 1974), "Onde Vais Rio Que Eu Canto" (Sérgio Borges, 1970), "Sobe, Sobe Balão Sobe" (Manuela Bravo, 1979), "No Dia Em Que O Rei Fez Anos" (Green Windows, 1974), "Bailia dos Trovadores" (Duo Ouro Negro, 1974), "Vamos Cantar de Pé" (Paco Bandeira, 1976), "Qualquer Dia Quem Diria" (Concha, 1979), "Eu Só Quero" (Gabriela Schaaf, 1979) e "Play Back" (Carlos Paião, 1981).
Fonte: Netparque

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carlos Paião: cantor : 1957-1988


Autor: Teresa Sancha Pereira

Data: Maio/1999
Páginas: 13
coord. António Trindade e Álvaro Albuquerque
Edição: CML/Comissão Municipal de Toponímia

Apontamento biográfico sobre o cantor Carlos Paião, a quem a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o nome de uma rua de Lisboa.

http://fonoteca.cm-lisboa.pt/cgi-bin/info3.pl?1459&BIB&0

Nomes de Ruas

http://www.portugalio.com/pesquisa/carlos_paiao/

Pesquisa de nomes de ruas com o nome "carlos paiao".

Carlos Paião nasceu em Coimbra, viveu em Ílhavo (terra dos seus pais) na infância e depois foi viver para São Domingos de Rana. Está sepultado em São Domingos de Rana, freguesia do concelho de Cascais.

Calçada Carlos Paião (São Salvador, Ílhavo)
Praceta Carlos Paião (Alcabideche, Cascais)
Praceta Carlos Paião, Urbanização Terplana (São Domingos de Rana, Cascais)
Rua Carlos Paião, Bairro Car (Camarate, Loures)
Rua Carlos Paião (São Pedro Penaferrim, Sintra)
Rua Carlos Paião, Bairro Conde Monte Real (São Domingos de Rana, Cascais)
Rua Carlos Paião (Charneca da Caparica, Almada
Rua Carlos Paião, Bairro Belo Horizonte (São João da Talha, Loures)
Rua Carlos Paião (São Vicente, Braga)
Rua Carlos Paião, Bairro do Casal Novo (Famões, Odivelas)
Rua Carlos Paião (Parede, Cascais)
Rua Carlos Paião, Bairro do Oriente (Santa Maria dos Olivais, Lisboa)
Rua Carlos Paião (Castelo, Sesimbra)
Rua Carlos Paião (Porto Salvo, Oeiras)
Rua Carlos Paião, Urbanização da Ribeirada (Odivelas, Odivelas)
Rua Doutor Carlos Paião (Montenegro, Faro)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tributo a Carlos Paião


As melodias deixadas por Carlos Paião já fazem parte da música portuguesa e são reconhecidas por todos. Nesta homenagem a este cantor, Álvaro Reis juntou 3 dos seus temas mais conhecidos: Cinderela, Pó de Arroz e Playback. Com um arranjo acessível, mas eficaz, para todo o nível de bandas vai ter sucesso garantido junto do público português.
No youtube é possível ver actuações de várias bandas filarmónicas a tocarem temas de Carlos Paião.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Banda Pátria

Paulo Lemos nasceu em Ílhavo em Janeiro de 1959. Estudou no Conservatório da Aveiro onde aprendeu guitarra clássica. Em 1974 conseguiu que três músicas suas fossem apuradas para o II Festival da Canção do Illiabum Clube. Fez parte dos conjuntos de baile Top 5, Jakarandá, Cheque Visado e Bária.

Foi vencedor por quatro vezes dos Festivais da Canção de Ílhavo. Participou também nos Festivais da Canção da Figueira da Foz, Amarante, Marco de Canavezes, Lisboa e nos Festivais da Canção Vida, onde foi o vencedor da 4ª edição.

Em 1987, Paulo Lemos fundou a Banda Pátria por iniciativa do seu amigo de infância, Carlos Paião. A banda acompanhou Carlos Paião em várias digressões até ao falecimento do cantor.

No youtube está disponível um video da Banda Pátria de homenagem a Carlos Paião:
http://www.youtube.com/watch?v=5S5J3iEcGkw

Em 1990, o cantor Rui Amorim foi acompanhado pela Banda Pátria na gravação do seu disco de estreia.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Canto de Guerra

Carlos Paião venceu o 6º Festival da Canção do Illiabum Club realizado em 15/12/1978.
1 - Canto de Guerra (52 pontos)
4 -Eu Quero Cantar a Vida (29 pontos)
http://carlos-paiao.blogspot.com/2009/04/festival-da-cancao-do-illiabum-club.html

http://ramalheira.do.sapo.pt/festival/festival.htm#F6 (mais fotos e mais dados)

Também foi nesse ano que Carlos Paião esteve na RDP-Centro para apresentar as suas canções.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Discoteca



Tens ao pe de ti o teu amor
Que sorri, sonhador
Dança parada, sem compasso
Embalada num abraço

Vieste distrair na discoteca
O disco toca, ataca muito slow, oh…

Esse mal de amor que tu atrais
É bom demais, é bom demais…
Fecha os olhos, deixa ver o som
É mais que bom, é ais que bom

Só cabelos encostados
Os sentidos desligados lentamente…

REFRÃO:
Na alma sonhos de boneca
Na discoteca, oh, na discoteca
Na alma sonhos de boneca
Na discoteca, oh, discoteca…discoteca

Tens o teu amor ma-luz
Num calor que seduz
Vou respirar o teu perfume
Devagar, num queixume

Suspiros sussurados ao ouvido
Ideias que o barulho misturou, oh…

Esse mal de amor que tu atrais
é bom demais, é bom demais…
Fecha os olhos, deixa ver o som
é mais que bom, é ais que bom

Nos afagos que demoras
Não há ai, nem mãe, nem horas, nem liceu

REFRÃO

http://letras.cifras.com.br/carlos-paiao/discoteca
http://carlos-paiao.letrasdasmusicas.com.br/discoteca-letra.html

domingo, 10 de janeiro de 2010

Especial Antena 1 sobre Carlos Paião

Entrevista de Edgar Canelas (Antena 1) com Mário Martins. Inclui vários depoimentos de Carlos Paião. [2006]

Intervenção de José Manuel Lourenço, em 1981, por ocasião do Festival Eurovisão com declarações de Carlos Paião sobre a chegada a Dublin.

música: Play-back - Carlos Paião

Carlos Paião refere a colaboração anterior com canções como "Canção do Beijinho" e "A Gente Cresce, Cresce".

música: A Gente Cresce, Cresce - Joel Branco

Mário Martins conta o episódio de envio das cassetes para a Valentim de Carvalho. Já tinha sido recusado numa primeira vez. Manuel Paião entregou-lhe a cassete que entregou a um dos seus colaboradores (Nuno Rodrigues). O colaborador considerou que não tinha qualquer talento mas se servisse era para letrista. Como a resposta não era afirmativa resolveu ouvir porque devia uma resposta a Manuel Paião. Ficou convencido porque se tratava de um jovem, com 18 ou 19 anos, que rinha vindo de Ílhavo para S. Domingos de Rama, com uma escrita ainda muito incipiente mas que já demonstrava o que poderia vir a fazer. Logo nos primeiros encontros escreveu um fado só com a descrição que Mário Martins lhe fez de uma Casa de Fados.

Carlos Paião relata o envio da cassete através de Manuel Paião. Em 1979 - através de Manuel Paião (primo direito do seu pai) manda uma cassete com 4/5 músicas porque a Mãe queria saber se valia a pena apostar na música

música: O Fado é fixe - Vasco Rafael

Como Mário Martins não conseguia convencer os outros do talento de Carlos Paião decidiu levar algumas cassetes- três - a Amália para que ela escolhesse. Achava que uma opinião de Amalia valia mais do que as suas tentativas. Amália tinha tido um problema no casino - coração - e por isso estava de cama.

Amália gostou e escolheu várias canções para serem retiradas das cassetes. No dia seguinte a notícia foi propagada nos jornais por Mário Martins.

Carlos Paião relata na primeira pessoa: de 34 canções era a única humorística, tinha sido dois anos antes de ser editado o single.

música: Senhor Extra-terrestre - Amália

Mário Martins relembra a canção sobre o recorde do Guiness (ainda inédita) e a facilidade com que passava dos temas mais sérios para temas mais humorísticos.

música: Marcha do Pião das Nicas - Carlos Paião

Mário Martins considera Carlos Paião o artista mais completo que conheceu e mantendo-se no mesmo tema relembra outras canções do seu lado mais sério: a canção sobre o artista que envelhece, que tentou que Nicolau Breyner gravasse e que Simone de Olivera também quis gravar; a canção sobre o romance dos pais ("História Linda"); ou a "Canção dos cinco dedos", uma canção exemplar para crianças. Relembra que o Intituto Piaget de Almada organizara, poucos anos antes, várias iniciativas extra-curriculares cujo tema eram as canções de Carlos Paião.

Carlos Paião descreve o álbum "Algarismos": queria que todas as canções tivessem algum fio de ligação, neste caso serem sobre cada algarismo; também queria que todas fossem de estilos musicais diversos.

música: Canção dos Cinco dedos - Carlos Paião

Mário Martins relembra que Amália gravou mais temas, um deles ainda inédito e que considera um tema extraodinário. Mais outro episódio passado com uma Fadista brasileira que tinha que ausentar-se de Portugal e que precisava urgentemente de um inédito.

Edgar Canelas recita parte da letra da canção "De Mão Na Mão".

música: Cinderela - Carlos Paião

domingo, 3 de janeiro de 2010

Carlos Paião e um poema esquecido

Estávamos em 1984. O Casino da Figueira completava o seu primeiro centenário.
Para assinalar a efeméride, a realização dum grande espectáculo de música original , intitulado “Festival da Canção Portuguesa de Temática Histórica”.

Certamente muitos já esqueceram o acontecimento, inédito, e outros, presentes quer na assistência quer no próprio júri, já deixaram este mundo.

Sansão Coelho, o conhecido locutor, apresentou o espectáculo que encheu literalmente o Casino.
Artistas de renome da canção ligeira, como Maria Guinot (“Tantos mares tantas marés” e "As Órfãs do Rei”), Natércia Maria (Ai D. Pedro, porque tardas?” e “Mare nostrum”), Ronda dos Quatro Caminhos (“Quedos, quedos, cavaleiros” e “Sua Alteza a quem Deus guarde”)), Fernando Pedro (“Sobre este mar”), Elsa Coimbra (“Linda Inês”), Marta (“Sonho de criança”) e António Sala (“A História de Portugal”), fizeram o encanto do vasto público, numa noite memorável.

Algumas das canções interpretadas faziam referência à Figueira da Foz, como, por exemplo, a que António Sala cantou intitulada “A História de Portugal”, que continha um verso que rezava: “Da Praia da Figueira até à Foz das despedidas”.

Mas Carlos Paião sobressaiu, cantando um pedaço da história desta cidade, simultaneamente um episódio da própria História de Portugal.

De seu título, “Pró Fide, pró Pátria, pró Regae”, o malogrado artista (viria a falecer num acidente de viação em 26 de Agosto de 1988), entusiasmou a assistência.

Ao apresentá-lo, Sansão Coelho diria que “Carlos Paião regressa para contar por música um episódio importante da História de Portugal e da Figueira da Foz”.

A canção, inédita, escrita, composta e cantada pelo artista, nunca mais se ouviu, cabendo aqui relembrá-la no seu todo:

Pro Fide, pro Pátria, pro Regae

Pro Fide, pro Pátria, pro Regae,
Pela Fé, pela Pátria, pelo Rei,

Em 1808 era o terror,
O Rei no Brasil, Portugal entregue à dor.
A nossa bandeira a um canto sem esperança,
Do alto do mastro,
As cores são as de França.
Para Bonaparte, o império que sonhou,
E um país a saque pelas tropas de Junot.

A velha Coimbra, a Universidade,
Já pensa revolta e ferve de vontade,
E ali se forma um grupo em movimento,
Um corpo académico de um só pensamento.
Quarenta estudantes avançam com coragem,
Bernardo Zagalo no comando da viagem.
Em Carapinheira, Tentúgal, Montemor,
Junta-se mais gente, a força ainda é maior,
Conquistam o forte de Santa Catarina,
Figueira da Foz, a França não domina.

Chega enfim a ajuda dos nossos aliados,
Vem Sir Arthur Wellesley e com 13 mil soldados.
Na praia de Lavos, a coberto do forte,
Dá-se o desembarque e muda a nossa sorte,
O Duque de Wellington começa suas glórias
Roliça [*] e Vimeiro [**] transformam-se em vitórias.
E a nossa bandeira de novo desfraldou
Finalmente livre das tropas de Junot.

E assim prosseguiu este sonho,
O qual se chamou Portugal.

Pró fide, pró Pátria, pró Regae,
Pela Fé, pela Pátria, por nós.
.

[*] Freguesia do Concelho do Bombarral – Leiria -, célebre pela batalha de que foi teatro, em 17 de Agosto de 1808, e na qual o exército anglo-luso, comandado por Sir Wellesley (depois Duque de Wellington), bateu o exército francês do General Labord.

[**] Freguesia do Concelho da Lourinhã – Lisboa -, célebre pela batalha de 21 de Agosto de 1898, a que deu o nome, e em que os franceses, comandados por Junot, foram destroçados pelas tropas anglo-lusas sob o comando de Sir Arthur Wellesley.

Do júri que participou neste evento, faziam parte Ferrer Trindade (presidente), Mário Nunes, Helena Duarte, Armando Garrido, Miguel Maduro, Marcos Viana e Maria Clara que deu a voz à canção “Figueira da Foz”, de António de Sousa Freitas e Nóbrega e Sousa. “A grande responsável pela divulgação do nome da Figueira da Foz”, como opinou Sansão Coelho.

Hoje e aqui, lembramos o acontecimento, completando o trabalho com imagens que retratam o que foi essa memorável noite do ano de 1984, em que foi assinalada a data do primeiro centenário do Casino, na origem com a designação de Teatro-Circo Saraiva de Carvalho.

Aníbal José de Matos

http://anibaljosedematos.blogspot.com/2009/09/efemerides_03.html